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Aluna da Unicamp é morta a facadas em São João da Boa Vista; polícia busca suspeito

|Do R7

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A polícia usa cães farejadores na tentativa de localizar o homem suspeito de ter assassinado com 28 facadas a estudante da Universidade de Campinas (Unicamp) Mayara Roquetto Valentim, de 23 anos, em São João da Boa Vista, interior de São Paulo. O homem apontado pela Polícia Civil como autor do crime, Michael Douglas Valentim, de 28 anos, sofre de esquizofrenia e já teria tentado assassinar outra mulher.

Até a manhã desta terça-feira, 17, ele estava escondido na Serra da Paulista, onde o corpo da estudante foi encontrado. O local está cercado pelos policiais.

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Mayara foi assassinada após sair de casa para fazer uma caminhada, na manhã de domingo, 15. Amigos da estudante disseram que ela tinha o hábito de caminhar em um local da serra conhecido como Vale dos Gnomos. O recanto, em meio à mata, é procurado por moradores e turistas.

Imagens de uma câmera de monitoramento mostram quando a garota atravessa uma rua e se dirige ao local da caminhada. Como ela não retornou, familiares iniciaram as buscas e pediram ajuda à polícia.

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O corpo foi encontrado na noite de domingo por pessoas que ajudavam a procurar a garota, caído em uma ribanceira, em meio às pedras, a menos de 4 quilômetros de sua casa. Mayara tinha marcas de 28 facadas no tórax, cabeça, braços e mãos, o que indica que teria tentado se defender do agressor. Conforme a polícia, não havia sinais de violência sexual. O corpo passou por perícia no Instituto Médico Legal de São João da Boa Vista, mas o laudo ainda não saiu.

O delegado Fabiano Antunes, responsável pela investigação, considera a autoria do crime esclarecida. Segundo ele, Michael Douglas já havia tentado matar outra mulher no sábado, 14, na pensão em que estava morando. Conforme a vítima relatou ao próprio delegado, o rapaz a atraiu para o quarto pedindo ajuda para empurrar um armário. Ela entrou e foi atingida por uma coronhada de revólver na cabeça. O rapaz puxou o gatilho duas vezes, mas a arma falhou e eles entraram em luta corporal. O suspeito fugiu.

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Conforme o delegado, como Michael Douglas já tinha passagens por violência doméstica e porte ilegal de arma, crimes pelos quais chegou a ser preso, ele pediu a expedição de mandado de prisão temporária contra o suspeito, concedido pela Justiça. De acordo com Antunes, depois de tentar matar a vizinha, o rapaz se escondeu na Serra da Paulista. "Ele sofre de esquizofrenia e, segundo os familiares, estava tomando medicamentos. Tentou matar a primeira moça gratuitamente, talvez por conta de um surto psicótico."

Conforme o delegado, com as imagens do primeiro crime - a tentativa de homicídio - não foi difícil para a investigação colocar o suspeito no cenário do assassinato da jovem. "Tínhamos as roupas dele que ficaram na pensão e os cães farejadores fizeram um bom trabalho, detectando o cheio dele na mata. Considero que o crime está esclarecido, só é difícil entender a motivação. Provavelmente ele teria matado quem aparecesse na frente, por isso temos urgência em encontrá-lo", disse. Alguns moradores da serra disseram ao delegado que o rapaz tinha sido visto pedindo comida por lá.

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Os relatos também deram conta de que, após sair da prisão, há cerca de dois meses, Michael Douglas foi morar com os pais, mas acabou se desentendendo e deixou a casa, passando a morar na pensão. Provavelmente, segundo o delegado, o crime foi ocasional, pois tudo indica que o suspeito não conhecia a vítima. Além dos cães farejadores, 45 policiais buscavam o foragido nesta terça-feira.

As polícias de municípios vizinhos foram acionadas e receberam fotos do rapaz. Para o delegado, a prisão dele seria apenas uma questão de tempo.

O assassinato brutal da jovem causou comoção na cidade de 93 mil habitantes, onde Mayara nasceu, passou a infância e fez os primeiros estudos, até sair para cursar a universidade de Campinas. Ela morava com o pai, a mãe e uma irmã em um condomínio de prédios no bairro Alto da Prata, em São João da Boa Vista.

Amigos de infância usaram as redes sociais para lamentar a morte prematura da jovem e pedir justiça. "Quão destruído está meu coração neste momento. Que tristeza... Que além da justiça do homem, a justiça de Deus não deixe passar em branco essa monstruosidade", postou a amiga Letícia Cruz, em sua página no Facebook.

O corpo de Mayara foi sepultado na manhã desta terça-feira, no Cemitério Municipal de São João da Boa Vista. O velório, no salão de velórios da Santa Casa, foi encerrado em clima de muita emoção. Além de familiares e amigos, colegas de faculdade foram prestar a última homenagem à jovem.

Mayara estudava ciências biológicas na Unicamp, em Campinas, desde 2017. Ela concluiu o bacharelado no segundo semestre de 2021 e cursava a licenciatura. A jovem morava próximo à universidade, mas viajava nos fins de semana para visitar os pais em São João da Boa Vista.

O Instituto de Biologia da Unicamp determinou luto de três dias - de segunda à quarta-feira, 18 - pela morte da acadêmica. "Foi uma aluna extremamente participativa no curso e querida pelos colegas de sala e docentes. Mayara nos deixa com 23 anos e muita saudade. Aos familiares, amigos e colegas enlutados, nossos mais sinceros sentimentos", divulgou a diretoria em comunicado.

A reportagem não conseguiu contato com familiares do suspeito. Até o início da tarde, ele não tinha advogado nomeado para sua defesa. Os pais de Mayara foram procurados, mas interlocutores disseram que eles estavam abalados e sem condições de falar sobre o caso.

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