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A maldição da corrupção que destrói Maluf e Marin

Condenados por transações criminosas, aliados na ditadura padecem na cadeia

|Celso Fonseca, do R7

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Afilhado e padrinho, unidos na ditadura
Afilhado e padrinho, unidos na ditadura

Maluf e Marin, sobrenomes curtos, sonoros, de duas figuras ligadas umbilicalmente pelo período mais sombrio do País, a ditadura militar (1964-1985). Nomes que se tornaram sinônimos de corrupção. No caso Maluf, criou-se o verbo malufar, para bons entendedores, o mesmo que roubar, dilapidar cofres públicos. Senhores octogenários que vivem a mãe dos pesadelos no ocaso de suas existências, eles assistem alquebrados ao enterro definitivo de suas reputações, o que nos remete, por exemplo, ao conteúdo da série de reportagens especiais "A Maldição da Corrupção", do "Jornal da Record"

Ex-governadores de São Paulo nos anos 1970 e 1980, o estado mais rico da Federação, eleitos sem o voto direto, ouvirão o barulho dos fogos que recebem 2018 atrás das grades. A esta altura, poderiam estar trocando abraços com os netos, mas preferiram trilhar caminhos arriscados. Paulo Maluf, 86 anos, trocou o endereço luxuoso de sua casa no Jardim América, em São Paulo, e o acesso a sua estrelada – e invejada – adega de vinhos por uma cela coletiva de 30 metros quadrados na ala B, bloco 5 do CDP (Centro de Detenção Provisória) do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. Condenado a 7 anos, 9 meses e 10 dias de prisão por lavagem de dinheiro e movimentações bancárias milionárias em contas na Ilha de Jersey, paraíso fiscal britânico no Canal da Mancha, Maluf está diagnosticado com um câncer de próstata, situação na qual sua defesa se apoia para libera-lo pelo menos para a prisão domiciliar. A doença estaria inibindo sua mobilidade e o obrigando a usar fraldas geriátricas. No mesmo bloco da Papuda de Maluf, estão o ex-senador Luiz Estevão, condenado a 31 anos de prisão por desvio do dinheiro das obras do prédio do Tribunal Regional do Trabalho em São Paulo, e o ex-ministro Geddel Lima, que cumpre prisão preventiva depois da descoberta de R$ 51 milhões distribuídos em várias malas com suas digitais. Será um réveillon em boa companhia. 


Diagnosticado com câncer, Maluf segue preso
Diagnosticado com câncer, Maluf segue preso

A situação de José Maria Marin, 85 anos, que assumiu o governo de São Paulo entre 1982 e 1983 no lugar justamente do padrinho Paulo Maluf - que foi disputar uma vaga na Câmara dos Deputados - consegue ser ainda pior. Um dos principais personagens do Fifagate, maior escândalo do futebol mundial, iniciado com a detenção de vários dirigentes num Congresso da Fifa em Zurique, em 2015, numa ação da polícia Suiça a partir de uma investigação do FBI. Após a vergonhosa prisão na Suiça, Marin foi condenado por um tribunal de Nova York pelos crimes de lavagem de dinheiro, fraude financeira e organização criminosa envolvendo contratos de competições como a Copa América, Libertadores da América e Copa do Brasil.

A acusação: receber propinas de US$ 6,5 milhões de empresas de marketing esportivo entre 2012 e 2015, período em que comandou a CBF. A pena de Marin ainda vai ser estipulada, mas pode chegar a 120 anos de cadeia. Marin cumpria há dois anos prisão domiciliar num dos endereços mais famosos de Nova York, a Trump Tower, um arranha-céu de 68 andares na Quinta Avenida, ao lado do Central Park, onde tem um apartamento avaliado em quase US$ 10 milhões. Quem é o dono da cobertura do lugar é o atual presidente americano. Desde a condenação, Marin alterou radicalmente seu padrão de moradia. Está provisoriamente confinado no Metropolitan Detention Center no Brooklyn, um lugar que já foi chamado de “depósito humano” por um iminente advogado criminalista americano e reúne condenados por assassinatos, terrorismo e estupro. Ao todo são cerca de 1.800 homens e 50 mulheres. O paraguaio Juan Ángel Napout, ex- presidente da Conmebol está na mesma prisão, que abriga o primeiro homem condenado à morte em Nova York em 50 anos: Ronell Wilson, condenado por matar dois policiais e que engravidou uma policial na cadeia. Marin também passa o réveillon bem acompanhado.

Seu parceiro, Marco Polo Del Nero, 76 anos, presidente da CBF, está banido do futebol por 90 dias, pelo Comitê de Ética da Fifa. Del Nero também é investigado pela Justiça Americana. Quem sabe, Marin ganha mais uma nova companhia.

Marin preso em Nova York
Marin preso em Nova York

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