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Análise: alta das exportações agropecuárias representa crescimento de volume, não de renda

Aumento das vendas não segue o aumento dos lucros, pontua economista a partir dos dados de janeiro

Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS

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LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA

  • O setor agropecuário brasileiro teve um crescimento de 2,1% nas exportações em janeiro, totalizando US$ 3,87 bilhões.
  • A soja foi o principal produto exportado, com um aumento de 75% nos embarques, e os principais compradores foram a China e países do Oriente Médio.
  • Especialistas alertam que o aumento no volume de exportações não se reflete em um crescimento proporcional nos lucros, devido à pressão nos preços.
  • A dependência do mercado chinês e o aumento dos preços de insumos, como fertilizantes, são pontos de preocupação, indicando a necessidade de diversificação e inovação no setor.

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O setor agropecuário brasileiro registrou um crescimento de 2,1% nas exportações no mês de janeiro e alcançou o valor de US$ 3,87 bilhões (cerca de R$ 20,2 bilhões, em conversão direta). Os dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento, Comércio e Serviços ainda mostram que os envios foram 17,5% maiores do que no mesmo período de 2025.

As informações da balança comercial mostram que o produto de maior destaque continua sendo a soja, com aumento no embarque dos grãos de 75%. Entre os principais compradores estão a China e países do Oriente Médio, enquanto Estados Unidos e União Europeia registraram quedas nas compras.


Navio cargueiro azul está próximo a uma localidade, abastecido com diversos contêineres e outros barcos em volta
Aumento dos envios internacionais preocupa por não oferecer um ganho maior Reprodução/Record News

Apesar do número expressivo, Daniel Vagas, professor da Escola de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas) em São Paulo, alerta que o saldo total não é tão favorável, uma vez que o aumento das vendas não segue o aumento de lucros, com ganhos bem similares registrados anteriormente.

“O que nós vimos em janeiro é um crescimento no volume, mas não na renda. Como se a gente estivesse ganhando praticamente a mesma coisa, exportando muito mais. E o que isso indica é que os preços estão pressionados, e, portanto, os produtores estão produzindo, estão vendendo, mas isso não representa, ao mesmo tempo, uma rentabilidade ou um enriquecimento maior no Brasil”, comenta.


Vargas também menciona que outro ponto que colaborou para tal crescimento expressivo foi o envio de soja proveniente de safras acumuladas no último ano, principalmente à China — o que só gerou a contabilização dos números neste ano. Porém, ele alerta para a importância de se diversificar o mercado e não apenas contar com uma dependência do mercado chinês.

“A China tem aumentado muito significativamente a sua compra, sobretudo em função dessa tensão dos Estados Unidos e a vontade de ficar de fora da própria produção norte-americana, mas a expectativa ao longo do tempo é que isso se estabilize um pouco mais, agora que a China voltou a comprar dos Estados Unidos, e para nós sempre um sinal de alerta, não é desejado para ninguém ficar dependendo sempre de colocar todos os seus ovos em uma mesma cesta”, completa o professor.


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Além disso, outro ponto preocupante é a pressão nos preços aos produtores, principalmente em insumos como os fertilizantes, que tiveram aumento no valor e forçaram menores compras, pesando nesse resultado quase similar de lucro registrado. Porém, Vargas destaca que esse cenário proporciona uma oportunidade de o Brasil buscar alternativas mais ecológicas e baratas ao país, o que deve ser explorado.

“Ontem, como hoje, o debate é a grande necessidade de obter licenças, investimentos para ampliar a produção nacional desses fertilizantes, diminuindo a nossa dependência internacional, especialmente no momento de guerra geopolítica, em que cada país naturalmente deve ter toda a preocupação do mundo e garantir a sua saúde econômica e de reduzir a sua vulnerabilidade”, finaliza o professor em entrevista ao Record News Rural desta terça-feira (10).

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