Desafio do novo seguro rural ‘vai além da disponibilidade de recursos’, diz pesquisador
Nova proposta deve necessitar de quatro vezes mais recursos do que os utilizados atualmente por condicionar contratação ao Plano Safra
Agronegócios|Do R7, com RECORD NEWS
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A proposta do novo PSR (Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural) deve demandar quatro vezes mais recursos do que a política atual. Segundo o documento, a contratação do programa será obrigatória para os produtores que desejam solicitar o Plano Safra com juros controlados neste ano.
A medida vem após o seguro rural registrar o pior desempenho no último ano desde 2007, com menos de 5% da área agricultável do país coberta. Os dados da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) evidenciam que a falta de adesão pode resultar em riscos nos resultados do agro brasileiro.

Na análise de Felippe Serigati, pesquisador do FGV Agro (Centro de Estudos do Agronegócio da Fundação Getulio Vargas), a queda nas contratações é consequência do maior custo para os produtores devido ao aumento dos preços das apólices e do menor financiamento do governo.
Com repasses sofrendo cortes constantes e sem reajustes durante os últimos anos, ele vê uma espécie de abandono ao setor. Outro ponto que demonstra o descontentamento do setor é a falta de alinhamento do governo com o calendário agrícola, com liberação dos subsídios após o início da safra.
“É um mercado muito importante, no entanto, apesar de todos esses desafios, apesar dos avanços que houve tentativa nos últimos anos, apesar de que esse ponto é interessante a gente destacar do lado da política pública de 2023 para cá, ao menos em termos orçamentários, o programa de seguro rural teve um prestígio menor”, comenta.
Em entrevista ao Record News Rural desta sexta-feira (20), Serigati também aponta que, em um cenário de mudanças climáticas, que geram danos aos produtores com uma frequência maior, muitas seguradoras começam a deixar o setor ou diminuir suas áreas de cobertura para regiões que ofereçam menores riscos.
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Apesar de uma abertura para novos mercados com a obrigatoriedade da proteção para a aquisição do Plano Safra, o pesquisador levanta questionamentos se haveria empresas suficientes para cobrir a demanda necessária. Para evitar problemas, ele recomenda uma atuação em conjunto entre governo, produtores e seguradoras na criação de políticas e recálculo dos valores de apólices e subsídios.
“Com essa situação aí de uma quebra de safra que possa acontecer com uma frequência maior, com uma probabilidade maior do que era, acontecia historicamente, de um lado torna esse seguro mais caro. Esse ponto é importante”, pontua Serigati.
“Do outro lado, ou isso encarece os custos de produção do lado do produtor, ou isso aumenta os custos de operação junto às seguradoras, demais sucessões, ou do outro lado, vai demandar um aporte de recursos maior por parte do governo, ou alguma combinação envolvendo esses três grupos de agentes”, conclui.
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