Entenda por que o acordo UE-Mercosul encontra resistência na direita e na esquerda da Europa
Governo brasileiro acreditava em assinatura neste sábado (20), mas protestos tomam conta da Europa
Agronegócios|Do R7
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Milhares de agricultores europeus têm protestado contra a política agrícola da União Europeia, em especial o acordo comercial com o Mercosul. Os líderes dos 27 países do bloco fizeram a última cúpula de 2025 em Bruxelas, capital da Bélgica. Brasília acreditava que o acordo seria assinado neste sábado (20). Em entrevista ao Record News Rural, o professor Daniel Vargas, da Escola de Economia da FGV, explica por que os dois extremos da política europeia se opõem às negociações.
Partidos mais à esquerda são estimulados a criticar sob argumento ambiental, ele diz, enquanto a direita entende que o acordo pode fragilizar a capacidade econômica de alguns grupos, como os produtores de carne. “Isso se junta no bolo europeu para criar uma massa de resistência que tem dificultado, cada vez mais, o avanço das negociações na Europa”.

Vargas avalia que, apesar dos entraves ambientais, a base das tensões é econômica. “A verdade é que não há, hoje, condições para boa parte dos produtores europeus atingirem uma margem de preço que o Brasil consegue”, pontua. Ele afirma que o Brasil possui uma das legislações ambientais mais rigorosas quando se compara a utilização de químicos à produtividade. “O número é muito menor proporcionalmente a outros países, inclusive da Europa”.
O professor argumenta acerca dos benefícios para ambos os lados negociadores. Para o Mercosul, seria o estabelecimento de uma ponte com o maior mercado consumidor do mundo. Para o continente europeu, poderia ser uma espécie de “boia de salvação”.
“O continente está nesse momento espremido numa tensão geopolítica brutal, com a imposição de tarifas elevadas pelo governo Trump, ao mesmo tempo que enfrentam uma guerra na sua fronteira e um desafio de competição tremendo com produtos chineses baratos”, avalia Vargas. “Mas outra vez, as dúvidas começam a surgir à medida que as resistências europeias se multiplicam”.
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