Análise: Não diga obrigado!
Desde criança fui ensinada a agradecer às pessoas que me fizessem alguma gentileza, por isso, foi estranho ouvir que não devia mais fazer isso

Um grupo de mulheres se reúne para discutir questões referentes ao empreendedorismo e o encontro é muito produtivo. Todas se mostram muito competentes e com muita vontade de fazer a diferença. As mulheres têm, geralmente, essa característica de querer fazer o melhor, trabalhar com propósito e oferecer tudo de si em cada projeto que se propõem a executar.
Ao final do encontro, todas estão motivadas e dispostas a sair dali para crescerem ainda mais, até que, uma delas toma a palavra e decide fazer um longo desabafo sobre o quanto seu marido a sobrecarrega e não reconhece seus esforços, além de tratar o seu negócio como uma coisa qualquer.
Aos poucos, a motivação das demais vai diminuindo, na mesma proporção que as reclamações sobre os parceiros vai crescendo. Observo de longe, me isentando de emitir qualquer opinião, mas não por muito tempo... Alguém percebe que estou de fora e questiona qual tem sido a colaboração do meu marido nos meus negócios. Tento responder da melhor maneira possível para não polemizar ainda mais:
“Homens precisam sentir que são respeitados, por isso, quando queremos impor as coisas, a tendência é que eles pulem fora. Eu recebo apoio porque valorizo as coisas que meu marido faz por nós. Ele sempre ajudou nas tarefas de casa, mas em quase 13 anos de casados eu ainda agradeço todas as vezes que ele cozinha ou lava a louça.”
Nunca imaginei que uma frase tão simples causaria tanta comoção...
“O quê? Agradecer? Eu nunca vou agradecer se o meu marido lavar louça porque isso não seria nada mais que obrigação dele!”
“Acho absurdo que você se coloque em uma posição de ter que agradecer. Ele deveria saber que não está fazendo nenhum favor!”
“Prefiro limpar a casa inteira sozinha do que ter de agradecer por ele se mexer... Me recuso a dizer obrigada quando ele está fazendo exatamente o que deveria fazer!”
“Ninguém nunca me disse obrigada por coisa nenhuma, por que eu deveria agradecer? Isso é muito absurdo!”
Desde criança fui ensinada a agradecer às pessoas que me fizessem alguma gentileza, por isso, foi estranho ouvir que não devia mais fazer isso. O mundo está mesmo ficando complicado!
Nós, seres humanos — homens e mulheres — saímos perdendo cada vez que acreditamos que, para vencer, é preciso nos colocarmos em uma posição de competição. Cada vez que um tenta provar que é melhor e que não deve o mínimo de respeito e civilidade ao outro, damos um passo atrás no quesito relacionamentos pessoais.
Apesar da chuva de críticas, vou continuar agradecendo, pois além de fazer o que gosto que os outros façam por mim, quase nunca lavo louça!
