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Análise: Quando o medo supera a razão e traz grandes prejuízos

O medo é um mecanismo de defesa, mas, quando se torna irracional, pode levar as pessoas a tomarem as piores decisões.

|Patricia Lages

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Endividados sofrem com ameaças de credores
Endividados sofrem com ameaças de credores

Diversos tipos de medo são irracionais, mas não chegam a afetar o nosso dia a dia, como o pavor de barata, por exemplo. Há, porém, alguns medos que podem cegar a pessoa a tal ponto que, por mais que se explique sua irracionalidade, é difícil convencer.

Ultimamente, com a alta taxa de inadimplentes – que já ultrapassa a casa dos 63 milhões – tenho observado um tipo de medo muito nocivo: o medo das ameaças vazias de alguns credores. Como educadora financeira, recebo centenas de mensagens de devedores que se veem encurralados por seus credores, a ponto de viverem literalmente apavorados.


Como ex-endividada, sei muito bem o que é ser cobrada dia e noite e o quanto isso mexe com nossa cabeça. E com respeito a ameaças, creio que já ouvi de tudo, inclusive de morte! Porém, as estratégias de alguns credores hoje em dia – principalmente de escritórios “especializados” em cobrança – são tão fracas que muito me admira ver a quantidade de pessoas que se deixa levar por ameaças sem o menor cabimento.

Para ilustrar melhor o assunto, acompanhe dois diálogos de leitores:


Leitor 1: “Patricia, perdi tudo para as dívidas e agora o credor disse que vai tomar todos os meus bens, estou apavorado. Me ajude!”

Resposta: “E quais são os bens que você tem, uma vez que diz ter perdido tudo?”


Leitor 1: “Não tenho nada, perdi tudo mesmo!”

Resposta: “Então o credor vai tomar o quê?”


Leitor 1: “Não sei... Eu não tenho nada... Mas, estou com tanto medo que vou fazer um empréstimo consignado à aposentadoria da minha mãe para pagar!”

Leitor 2: “Patricia, o escritório de cobrança diz que vai mandar me prender porque devo no cartão de crédito. Não durmo há duas semanas. Estou paranoico.”

Resposta: “Dever não é crime e o único tipo de dívida que dá cadeia é a de pensão alimentícia, que não é o seu caso.”

Leitor 2: “Mas se eles dizem que vão me prender é porque vão!”

Resposta: “Não há lei que leve um devedor de cartão de crédito para a prisão. Foque em pagar a dívida, mas não se preocupe, pois essa é uma ameaça sem nenhum fundamento.”

Leitor 2: “Ah, não! Quero voltar a dormir. Vou pegar dinheiro com um agiota.”

Esses são apenas dois exemplos do quanto o medo “emburrece” as pessoas e as fazem tomar decisões que só pioram o que já está ruim. É frustrante tentar ajuda-las, mas o medo não as deixa raciocinar, por mais boa vontade que tenhamos.

Será que algum medo irracional tem feito você tomar decisões irracionais? Ou, por outro lado, tem limitado as suas ações? Quem sabe você não abre um negócio por medo de não dar certo, ou não procura emprego porque teme levar um não. Ou, ainda, não vai a um determinado local que você quer muito ir, mas todo mundo fala mal.

Livre-se desses medos! Da mesma forma que você não sabe se vai dar certo, não pode ter certeza de que vai dar errado. Você pode levar muitos nãos, mas tudo o que precisa é de apenas um sim. E deixe de guiar seus passos pelo que os outros dizem. Vá na sua fé, pois quando você não teme, até o que era para dar errado acaba dando certo!

Patricia Lages

É jornalista internacional, tendo atuado na Argentina, Inglaterra e Israel. É autora de cinco best-sellers de finanças e empreendedorismo, palestrante e conferencista do evento “Success, the only choice” na Universidade Harvard. Apresenta quadros de economia na TV Gazeta e RecordTV e é facilitadora do programa mundial WomenWill – Cresça com o Google.

Os textos aqui publicados não refletem necessariamente a opinião do Grupo Record.

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