A lei da compensação
É preciso alimentar os olhos, a cabeça e o coração
Bahia|Larissa Ramos, da TV Record Bahia

Os prazeres da mesa são muitos. Acredito que comer bem não tem preço, mas é claro que a vida é feita de escolhas e algumas vezes você precisa privilegiar alguns outros aspectos do cotidiano que no conjunto vão te trazer mais prazer do que apenas sentar e comer bem.
As viagens são um ótimo exemplo deste tipo de questão. O que é mais importante no passeio? Depende exclusivamente do que você considera importante. Para ficar mais fácil, vou dar um exemplo que aconteceu comigo em um passeio recente a Morro de São Paulo, aqui na Bahia.
O lugar é lindo. Todo o grupo que estava presente já conhecia a praia e, entre todos, a balada não era um desejo. Então, ne
ste caso, privilegiamos a tranquilidade que a quarta praia oferece. Como em Morro o transporte é complicado e ninguém quer ficar o tempo todo sacolejando dentro de carrinhos improvisados, estabeleceu-se que para desfrutar de uma praia vazia, em um cenário paradisíaco, comida razoável era melhor do que ter por perto todas as opções gastronômicas da Vila, já que isso também iria significar ter que disputar um pedacinho de areia com um tipo de turista com ideais de diversão muito diferentes dos nossos.

Sendo assim, entre os menus do fim de semana destaco um arroz com frutos do mar do Anima Hotel e uma moqueca de vegetais capixaba do Vila dos Orixás. Nenhum estava horrível, mas passaram longe do meu conceito por alguns pontos. Por tradição, a moqueca capixaba para agradar o paladar dos
baianos, ainda mais em terras baianas, já precisa ser muito suculenta e bem feita, o que definitivamente esta não estava. Apesar de bonita, digamos que faltava personalidade ao prato. Algumas pessoas do grupo gostaram dos acompanhamentos. Eu não achei a consistência do pirão ideal – estava quase de corte.
O arroz, de uma maneira geral, veio com uma apresentação vistosa. O prato tinha um sabor puxado para o vinho bem interessante. O outro aspecto positivo foi o cozimento do polvo, muito macio, mas creio que para atingir este ponto infelizmente terminaram comprometendo a consistência dos outros frutos do mar. Na boca lembravam borracha - do camarão ao mexilhão. E você pode ficar curioso para saber qual o custo de tais petiscos… Eu respondo: o sal que faltou na moqueca foi embutido no preço, mais uma consequência da tal exclusividade que o local, super aprazível e com o staff dos mais agradáveis, oferece.
Ai, voltamos ao início do texto. Por que eu, justo eu, uma pessoa que sabe cozinhar e leva os estudos gastronômicos tão a sério topa trocar (às vezes) o bom pelo razoável? Pelo simples fato de que nem só de comida vive o homem, no meu caso mulher. É preciso alimentar os olhos, a cabeça e o coração. Viajar com quem a gente ama representa tudo isso. Voltamos com combustível suficiente que nos permite continuar a toda até a próxima escapadinha. Com comidas boas ou nem tanto.















