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Após atrasos e gastos extras em passarela, cratera pode interditar a Paralela

Obra que deveria servir ao estádio de Pituaçu hoje é subutilizada

Bahia|Karina Oliveira, do R7 BA

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Cratera fica próxima a pista da avenida Luiz Viana Filho (Paralela)
Cratera fica próxima a pista da avenida Luiz Viana Filho (Paralela)

Após atrasos e milhões gastos, a passarela de Pituaçu foi entregue à população, em 2012, sem a cobertura e os elevadores de acesso para pessoas com dificuldade de locomoção. A construção excedeu em quase quatro anos a previsão de término, que foi estimada em seis meses.

De acordo com a Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder), autarquia do governo da Bahia responsável pela realização da construção, a passarela tem 666 metros de extensão e seis metros de largura, maior que as construções tradicionais, e custou mais de R$ 13 milhões aos cofres públicos. A obra faz parte da reforma do Estádio Roberto Santos, mais conhecido como Estádio de Pituaçu, e seu entorno. Mas a área externa, próximo à passarela, já precisa de reparos.


O problema é causado por uma cratera próxima a um dos pilares de sustentação da passarela. Um empresário, que pediu para não ser identificado, confirmou ao R7 BA ter sido procurado pela Conder para fazer uma análise da cratera próxima ao estádio, e identificou a necessidade de reparos imediatos para que a passarela não corra risco de ter de ser interditada por possibilidade de desabar.

Só que, até agora, nenhuma obra foi iniciada para conter o deslizamento de terra.


O diretor da Escola Politécnica da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Luís Edmundo Prado de Campos, que analisou fotos do local, alerta sobre os perigos na região.

Ele afirma que o problema pode afetar uma das principais vias da capital baiana, a avenida Paralela.


-As fotos mostram um problema de erosão que pode atingir a pista, caso não seja recuperado. O problema pode ter sido provocado pela drenagem ou pelo aterro na construção da obra.

Ainda de acordo com Campos, o deslizamento de terra precisa ser contido, pois pode provocar o entupimento da canaleta para a passagem de água, instalada ao lado da encosta. Caso a abertura seja bloqueada, o escoamento será comprometido e causará buracos na região.


-É interessante que se faça a obra, que se faça a correção. É conveniente que as autoridades tratem.

Ainda segundo a Conder, o valor para construção da obra de acessibilidade realizada na região precisou ser reajustado em cerca de 10%. A companhia justifica que o aumento ocorreu por dificuldades no processo licitatório, além da rescisão do contrato com a empresa vencedora, que iniciou a obra, bem como atrasos no fluxo financeiro oriundo do governo federal.

A construção da passarela sobre a Avenida Luiz Viana Filho (Paralela) teve início em 2008, porém só foi parcialmente concluída para a final do Campeonato Baiano entre Bahia x Vitória. Mas o projeto original ainda contempla a instalação de elevadores, que ainda não foram instalados.

O governo gastou R$ 55 milhões para reformar o estádio de Pituaçu e realizar obras no entorno. A construção deveria atender à demanda do futebol baiano após a interdição da Fonte Nova, mas o local é utilizado apenas em partidas da segunda divisão da competição estadual.

O desperdício com o dinheiro público deveria ser previsto, pois o governo já sabia que, com a construção da Arena Fonte Nova, o Estádio de Pituaçu seria subutilizado.

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