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Após conhecer história de garoto com câncer, repórter faz cadastro para doação de medula e conta experiência

Levei pra casa a esperança e torcida de poder ajudar alguém sem nome, idade e religião

Bahia|Karina Oliveira, do R7

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Cheguei no Hemoba por volta das 14h10 e 20 minutos depois já estava saindo de lá
Cheguei no Hemoba por volta das 14h10 e 20 minutos depois já estava saindo de lá

Eu nunca tinha pensado em ser doadora de medula óssea, não sei se por desinteresse ou preguiça, mas tudo mudou após conhecer a história do pequeno Tiago, uma criança de apenas 11 anos que precisava apenas de um ato de solidariedade para viver. Fiquei perturbada e chocada ao saber que ele só tinha uma chance, o transplante.

Apesar da pouca idade, o menino já travava uma luta contra a morte que, até o momento, estava ganhando. Mas, eu não sabia até quando isso iria perdurar. A possibilidade, ainda que pequena, de poder pelo menos tentar salvar a vida dele ou de qualquer pessoa fez nascer um sentimento de obrigação, mas não no sentido negativo do termo, porque fazer qualquer coisa por obrigação não é muito animador, mas no sentido de fazer o bem ao próximo, ainda que não saiba quem ele é.


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A partir daí, milhares de pensamentos começaram a borbulhar. E se eu fosse compatível? Eu não poderia deixar ele morrer... Fui invadida por sentimentos de culpa e egoísmo ao saber que poderia, talvez não, salvar uma vida. Mas decidi, independente do resultado, tentar. Talvez, não seja compatível com ele, mas e as outras pessoas que estão à espera? E se eu puder ajudar alguém? Sei que ele não foi e, infelizmente, não será a primeira ou única pessoa com essa necessidade, mas foi capaz de me tocar e me fez ser mais humano. 

Os dias passaram e a ideia foi deixada de lado, momentaneamente, por conta das prioridades do dia a dia. Mas, será que há algo mais prioritário que a vida? Na quarta-feira (16), eu decidi deixar os meu problemas um pouco de lado e marquei na agenda do dia a doação como prioridade.


Decidi deixar o campo da imaginação e partir para ação. Cheguei no Hemoba (Fundação de Hematologia e Hemoterapia da Bahia) por volta das 14h10, consciente de que estava plantando uma semente do bem. Realizei o cadastro no banco de doadores, coletei 5 ml de sangue, que devem ser submetidos a exames para, quem sabe, encontrar alguém 100% compatível. Pouco tempo depois, cerca de 20 minutos, sai de lá... Levei pra casa a esperança e torcida de pode ajudar alguém sem nome, idade, sexo, religião, partido político, time ou qualquer característica. Mas, me fazia sentir útil. Sabe quando você faz algo bom? A sensação é indescritível e impagável... Sei que minha atitude é nobre, não porque sou eu. Não tenho a pretensão de salvar o mundo, uma vida já vai ter valido a pena. Talvez, eu nem seja geneticamente compatível como alguém, nem sei se isso é possível, contudo, acredito no poder de transformação dos bons exemplos. E se eu conseguir convencer uma pessoa? E se ela conseguisse convencer outra? E essa outra mais uma.... formando uma corrente que mobiliza o outro e torna o problema do próximo seu também. Eu queria que a ideia contaminasse as pessoas como esses vídeos besteirol da internet. Você simplesmente ouve e sai repassando. Pode ser um comentário na fila do banco, no salão, no supermercado, intervalo da novela ou em um post e marcar os amigos.

Ao manifestar o meu desejo, fui apoiada pelos amigos e colegas de trabalho. Acho que eles pensaram que seria muito corajosa ao enfrentar uma coleta de medula na bacia, mas acho que eles e muitas pessoas não sabem que o processo é bem mais simples e parecido com exame de sangue. Na verdade, coragem têm essas pessoas que derrotam a eminência da morte (porque a doença não vai esperar o doador), que me causa aflição e pavor, dia após dia enquanto aguardam um doador. Para eles, a sobrevivência depende de combinações como em uma loteria, mas, nesses casos, o prêmio é a vida, poder acordar vivo. A semente foi plantada e vai gerar bons frutos.

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