Leia entrevista com Geddel Vieira Lima, pré-candidato ao governo da Bahia
Peemedebista diz que primeiro e mais difícil desafio vai ser organizar as finanças públicas.
Bahia|Do R7 BA
O R7 Bahia entrou em contato com os candidatos cotados para concorrer ao pleito estadual em 2014. Foram encaminhadas nove perguntas iguais sobre segurança, saúde, educação, mobilidade urbana, entre outros temas. Os políticos tiveram o mesmo espaço para responder as questões.
Os questionamentos foram enviados por e-mail para todos os políticos passíveis de concorrer ao governo. Os pré-candidatos procurados pelo R7 Bahia que responderam as perguntas foram: o presidente do Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) na Bahia, Geddel Vieira Lima; o presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (Alba), Marcelo Nilo (PDT); o secretário municipal de transporte, José Carlos Aleluia (DEM); e o secretário Estadual de Planejamento, José Sergio Gabrielli (PT).
A senadora Lídice da Mata (PSB), o vice-governador do Estado, Otto Alencar (PCdoB); o ex-governador Paulo Souto (DEM); e o secretário da casa civil, Rui Costa (PT), decidiram não responder as questões.
Leia íntegra da entrevista com Geddel Vieira Lima:

R7 BA - Qual o maior problema que o Estado enfrenta atualmente e como fará para resolver a situação?
Geddel Vieira Lima - É um conjunto de problemas que gera um grande problema por conta da falta de liderança e exercício do governo, de energia e disposição para governar, de coragem para tomar decisões, de um planejamento com prioridades.
É muita política e pouca gestão, e isso se revela em números apresentados por institutos respeitados, como mostra, por exemplo, o Mapa da Violência do Instituto Sanghari, no qual fica evidente o caos na segurança pública da Bahia.
Outra evidência são os indicadores da Saúde, em que a Bahia aparece nas últimas posições entre os estados na categoria de cobertura vacinal e como o pior estado do nordeste no atendimento do Programa Saúde da Família.
Com relação à Educação, o atual governo tem um único programa, o Topa – Todos Pela Alfabetização -, que é um projeto importante, mas que não pode ser prioridade e teve os seus números desmentidos pela pesquisa PNAD/IBGE, que mostra o pior desempenho no combate ao analfabetismo das ultimas duas décadas. Falam em 1 milhão de alfabetizados e o IBGE confirma apenas 130 mil em seis anos, metade do governo anterior.
Como resolver? Com o estabelecimento de prioridades claras, com um governo com metas determinadas, prêmios de produtividade, programas definidos nas áreas de saúde, segurança, educação e interiorização do desenvolvimento e ainda com a inclusão da agricultura como prioridade no orçamento do Estado, a retomada da assistência técnica de extensão rural. Essas e outras ideias serão apresentadas e debatidas com a sociedade, quando construiremos, em conjunto, um programa de governo ágil e moderno, com prazos e metas, sem falsas promessas, e que represente a esperança, que diga um “sim”, de que é possível fazer mais e melhor, rompendo com esse ciclo de ineficiência que estamos vivendo na Bahia.
R7 BA - A segurança pública é uma das principais reclamações dos baianos. Simões Filho, Lauro de Freitas, Porto Seguro e Eunápolis estão entre as dez cidades onde mais ocorreram assassinatos por arma de fogo no País, de acordo com dados do Mapa da Violência. O que poderia ser feito para resolver ou, pelo menos, amenizar esse problema?
Geddel - Nada vai amenizar enquanto as pequenas prefeituras tiverem que encher os tanques dos carros de polícia, manter as delegacias ou pagar policiais para fazer segurança de festa. É preciso criar um programa de monitoramento das nossas divisas, unindo setores como polícias Militar e Civil, Detran, Secretaria da Fazenda e outros órgãos estratégicos para combater esse entra e sai de bandidos, drogas e armas da Bahia.
A violência não vai diminuir sem uma meta clara para transformar e motivar a polícia, estabelecendo objetivos para a redução dos indicadores de violência. Também é necessário ter uma meta definida para que depois de quatro anos o efetivo policial seja compatível com a necessidade do Estado e não apenas que as contratações sejam feitas simplesmente para repor baixas por mortes, desligamentos e aposentadorias da corporação.
Mais do que tudo, é fundamental o comprometimento e o engajamento pessoal do Governador do Estado, que não pode ter uma posição contemplativa. Pernambuco, por exemplo, reduziu o índice de violência em 40%, enquanto na Bahia subiu 200%. Por quê? Por falta de gestão.
R7 BA - O senhor é a favor do projeto Mais Médicos? Os baianos reclamam muito da falta de atendimento e superlotação dos hospitais. Um levantamento realizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) mostra que nos últimos três anos houve uma redução de 592 leitos - de todas as especialidades - na rede pública na Bahia. O Mais Médicos seria a solução para a saúde pública? O que poderia ser feito pelo novo governador pra ajudar a população que depende do SUS no Estado?
Sou a favor, mas é preciso que os médicos passem pelo Revalida. Também é importante criar um programa de monitoramento permanente para garantir e controlar a qualidade do atendimento médico. É ainda fundamental investir na infraestrutura de hospitais e postos de saúde, onde falta desde esparadrapo a remédios.
Na nossa avaliação, para o SUS ter um sucesso definitivo, é preciso criar a carreira de Estado para os profissionais de saúde, estabelecer parcerias sérias com prefeituras e entidades filantrópicas para equipar e manter o bom funcionamento dos hospitais públicos e postos de saúde, pois o médico não vai poder resolver nada sozinho. A preocupação tem que deixar de ser a imagem do governo, ou a propaganda, e passar a ser a eficiência, a prestação de serviços, o atendimento de qualidade.
R7 BA- Há alguns anos, alguns colégios estaduais da Bahia figuravam entre os melhores do Estado, mas, atualmente, a qualidade do ensino público caiu muito. Segundo a classificação das escolas no Enem, das 200 melhores escolas do Estado apenas duas escolas são públicas, ambas federais. O que deveria ser feito para melhorar o ensino nos colégios públicos?
Geddel - Não só o Enem, mas o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) também mostra que a Bahia vai mal. Temos que fazer como Minas Gerais, que investiu maciçamente na construção e na manutenção digna de creches, numa boa rede física de escolas, com metas de aprendizado e prêmio de produtividade. O foco não pode ser em um programa de alfabetização de adultos (Topa), que é importante, mas que não pode ser prioridade. Em primeiro lugar deve vir a escola básica, o ensino fundamental, para alfabetizar as crianças ainda na infância e não na vida adulta. Teremos também enormes desafios no ensino médio, na escola em tempo integral e profissionalizante.
R7 BA - Após mais de uma década, as obras para a construção do metrô em Salvador passaram por várias etapas, mas não foi concluído e acabou passando do governo federal para o estadual. O senhor acredita que as obras serão concluídas em 2014? Com metrô funcionando, acredita que vai melhorar o problema da mobilidade urbana na capital baiana?
Geddel - Em 2014, não. O atual governo tem uma tradição de morosidade nas obras, é um governo contemplativo, que investe suas forças no imaterial. Eu torço para que as obras do metrô avancem, mas esta não será a grande solução da mobilidade urbana. O investimento em linhas de ônibus exclusivas trará muito mais benefícios. Essa é uma questão que depende de múltiplas ações, em várias frentes, que são pensadas e implantadas pela prefeitura, compensando os seis anos de abandono do governo do Estado com Salvador.
R7 BA - Como o senhor avalia o resultado das pesquisas de intenção de voto? Acha que influencia na mudança de estratégias para a disputa?
Geddel - Ainda está muito cedo para avaliar o impacto das pesquisas, mas recebo bem os resultados positivos e também com humildade. Como diz um amigo meu, melhor cedo, na frente, do que atrás. Eu recebo com alegria os números, mas a estratégia é andar e andar, ouvir e ouvir, falar com clareza o que penso e perceber que o que digo está de acordo com o sentimento da maioria da população. Eu acredito na Bahia, acredito que é possível fazer diferente, de fazer mais e melhor. E essa fé, essa esperança que carrego no coração que estou levando para os baianos, para juntos construirmos uma Bahia melhor, da qual a gente se orgulhe. E isso tem sido muito bem recebido.
R7 BA - Em uma eleição é possível dizer que existe candidato mais fácil ou mais difícil de ser derrotado?
Geddel - Não. Numa eleição existe o governo e a oposição. Se o governo vai mal, o candidato tem o voto da máquina e a oposição o da esperança. Se vai bem tem o voto da situação e o adversário o da oposição.
R7 BA - Como o senhor avalia a importância das alianças no resultado final das eleições?
Geddel - Tenho a convicção de que é sempre importante buscar alianças. Vimos nas manifestações populares, em junho, nas ruas, teses claras pedindo mudanças. Mas essa aliança não deve ser pela governabilidade ou por um maior tempo de televisão, mas, sim, de propostas, ideias e esperança. A sociedade está exausta de alianças que se apoderam da máquina pública para atender a interesses individuais e partidários. Precisamos dar um basta nisso na Bahia. Quem construir uma aliança em torno do sentimento de que o fundamental é melhorar a qualidade da prestação dos serviços públicos, de melhorar a eficiência do governo, sairá fortalecido.
R7 BA - Qual será o maior desafio do futuro governador da Bahia?
Geddel - O primeiro e o mais difícil desafio vai ser organizar as finanças públicas, que estão destroçadas pela incompetência do governo. Não é possível que alunos tenham que pegar vassouras para limpar suas escolas, ao invés de estarem na sala de aula, que se atrase o pagamento dos salários dos funcionários públicos, que se paralise obras ou que se tenha as contas cobradas publicamente pelos empreiteiros. Está tudo desarrumado e o desafio será organizar a gestão financeira e a máquina para voltarmos a ter capacidade de investir em projetos de Estado. Gastar menos com a máquina para gastar mais com o povo. Parar de desperdiçar dinheiro público com uns poucos privilegiados, e levar serviços, obras e realizações para a maioria.
Outra questão fundamental, além dessa, é ter um projeto prioritário, específico para o semiárido. É uma vergonha que a indústria da seca se aproveite da situação de quase metade da população baiana sem que o governo tenha um projeto de desenvolvimento para essa parte do Estado. Temos que investir em barragens para preservação e criar uma rede de adutoras, levando água para consumo e produção, criando um programa de curto, médio e longo prazo, com ações e prioridades efetivas, para tirar o semiárido da situação de abandono, dando condições dignas para sua população.
















