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Mais de R$ 83 milhões não declarados à Receita Federal são descoberto durante operação

Quatro pessoas foram presas e cinco continuam foragidas 

Bahia|Do R7

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O esquema contra o fisco estadual e de concorrência desleal em licitações públicas
O esquema contra o fisco estadual e de concorrência desleal em licitações públicas

Mais de vinte empresas estão envolvidas em um esquema fraudulento que movimentou mais de R$ 83 milhões não declarados à Receita Federal. O esquema contra o fisco estadual e de concorrência desleal em licitações públicas, com o uso de empresas em nome de sócios "laranjas" para simular disputas em editais de governos estaduais e municipais, foi o alvo da operação Aleteias, que foi executada no sábado (14) e na manhã deste domingo (15), em Salvado e em São Paulo.

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As fraudes ocorreram em licitações dos governos da Bahia e de outros Estados das regiões Norte e Nordeste, e também das prefeituras de Salvador e de outros municípios do interior baiano. As diferentes empresas criadas pelo esquema forneciam itens variados, como livros, materiais escolares, de escritório e medicamentos. Elas simulavam disputas e, ao ganharem as licitações com preços muito abaixo do mercado, forneciam produtos de má qualidade, diferentes daqueles apresentados na assinatura do contrato.

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De acordo com as investigações, para operar as fraudes em licitações havia dois grupos distintos atuando em sintonia. O primeiro, liderado por Rafael Prado, criou mais de 15 empresas nos últimos anos. O outro era formado pelos irmãos Mattos, que criaram mais de dez empresas. A utilização de “laranjas” era central no esquema.

A prisão do casal Rafael Prado Cardoso e Ariana Nasi, filho e nora de um apresentador de TV em Salvador, ocorreu ontem em São Paulo. Já o empresário César Mattos e a “laranja” Maria de Fátima Andrade Silva foram presos na manhã deste domingo em Salvador. Estão foragidos os empresários Bruno e Ricardo Mattos, irmãos de César, a “laranja” Tatiane Ramos, que é empregada doméstica do comunicador, e ainda dois funcionários de empresas do esquema, Washington Mendes e Marcos Menezes. 

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As irregularidades cometidas pelos integrantes do esquema incluem a inserção de declarações falsas nas informações econômico-fiscais, em que eram omitidas aquisições de mercadorias tributadas, e a utilização de sócios “laranjas” na composição societária, com a finalidade de ocultar operações tributáveis e de obter isenção de responsabilidade penal e tributária pelo não recolhimento do ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços).

Investigação

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De acordo com o Sefaz-Ba, a inspetora Sheilla Meirelles contou que o esquema começou a ser investigado há cerca de três anos, quando o fisco constatou um débito de mais de R$ 1 milhão de uma empresa que não mais existia. Ao aprofundar as pesquisas, a Sefaz-Ba encontrou elevado grau de sonegação fiscal praticado pelas diversas empresas ligadas ao grupo.

Segundo o promotor Luís Alberto Vasconcelos, os mandados de busca e apreensão tiveram o objetivo de coletar os documentos necessários à instrução do inquérito policial em curso, e à fiscalização das empresas utilizadas como fachada no esquema. O MP (Ministério Público) também solicitou à Justiça o bloqueio dos bens e das contas bancárias dos investigados.

Foi caracterizada, de acordo com o promotor, a atuação de organização criminosa que, com práticas fraudulentas, desestabilizava o mercado por meio de concorrência desleal, praticando preços muito inferiores ao mercado e permitindo aos integrantes do esquema a acumulação de patrimônio de forma irregular. Vasconcelos explicou que o nome da operação remete ao grego antigo.

— Aleteia é o espírito da verdade, que se opõe às mentiras e à fraude.

A operação foi conduzida pela força-tarefa reunindo o Ministério Público Estadual e as secretarias estaduais da Fazenda e da Segurança Pública, a operação cumpriu quatro dos nove mandados de prisão emitidos, além de 26 de busca e apreensão.

As investigações contaram com a participação da Coordenadoria de Segurança e Inteligência Institucional (CSI) do Ministério Público da Bahia e o apoio da Polícia Civil de São Paulo. 

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