"O mundo caiu, foi um impacto muito grande", diz estudante baiana diagnosticada com HTLV
Hoje, estudante luta para que a população conheça a doença
Bahia|Do R7*

Adijeane Oliveira de Jesus, esse é o nome de uma cidadã baiana que até 2013 teve uma vida tranquila. Formanda do curso de psicologia, Adijeane estudou muitas vezes sobre a superação da mente e os impactos psicológicos na vida de um indivíduo que se depara com uma situação imutável. O que ela não sabia é que teria que colocar esse aprendizado em prática na sua própria vida, antes mesmo de se formar.
Portadora do HTLV, vírus que aitnge as células T do organismo, desde que nasceu, Adijeane nunca imaginou que fosse fazer parte da pequena porcentagem de pacientes que desenvolve alguma doença relacionada ao vírus. Além dela, os pais e os três irmãos são portadores do vírus, só que todos são assintomáticos. Ela conta que a chegada dos primeiros sintomas foi algo doloroso de aceitar.
— Eu me vi de uma hora para outra internada em um hospital, inchada, sem controle na bexiga. O mundo caiu. Eu vinha de uma rotina tão agitada, que quando parei para pensar na mudança que teria, foi um impacto muito grande.
Ela contou a reportagem do R7 BA que o contraponto da história foi a sua família. Eles poderiam estar com medo de desenvolver os sintomas também, mas ao contrário disso, eles foram o apoio que Adijeane precisava para enxergar um novo caminho.
— O acolhimento familiar é essencial. Eles foram meu incentivo.
Marília Cássia, colega de curso de Adijeane, acompanhou toda a mudança na rotina dela.
— Ela é muito inteligente, antenada e se organiza muito bem. Mesmo quando estava no hospital não deixou de estudar, eu levava as atividades domiciliares e com muito esforço ela realizava todas. Sei que não foi fácil, percebia que ela estava sentindo dores, mas em nenhum momento desistiu. Ela é um exemplo.
Adijeane desenvolveu a síndrome de HAMTSP, que paralisa os movimentos das pernas e dificulta o controle da bexiga. Apesar das dificuldades enfrentadas todos os dias, como se locomover na cidade, ela encontrou na doença uma forma de se tornar atuante na sociedade. Atualmente, é a presidente da Associação HTLVida, que apoia os portadores do HTLV e luta para que o poder público desenvolva políticas públicas eficientes e especifícas para quem tem a doença.
— Todos os integrantes da associação são portadores do vírus e tem sintomas. Alguns estão perdendo a visão, outros desenvolveram a leucemia e até a síndrome de HAMTSP, como o meu caso. Lutamos para que o poder público olhe para nós e entenda as dificuldades que enfrentamos. O HTLV não tem cura, mas tem tratamento.
Outro ponto fundamental para Adijeane é que a população tenha conhecimento da doença, principalmente as grávidas, que podem evitar a transmissão do vírus ao bebê por meio do parto ou amamentação.
— Foi exatamente o que acontceu em minha família. Meus pais têm o vírus e tanto eu quanto meus três irmãos fomos infectados. Só não tinhamos dimensão real dos problemas que poderíamos encontrar. Hoje, fico atenta a qualquer alteração que eles tenham na saúde. Sou mais preocupada até mesmo que eles, acho que é exatamente porque sei o quanto é difícil ter que enfrentar os problemas ocasionados pelo HTLV.
E é assim, com muita resiliência e esperança, que Adijeane luta contra a sua própria dor para alertar a sociedade e ao poder público de que os pacientes com HTLV precisam de cuidados e que a população precisa se prevenir para não adquirir o vírus.
*Colaborou a estagiária Kátia Prado













