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PF investiga mala com logo OAS e novas digitais em bunker de Geddel

Alguns maços de dinheiro estavam guardados em uma bolsa de couro com o logotipo da OAS

Bahia|Folhapress

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Geddel está preso desde 9 de setembro no presídio da Papuda (DF)
Geddel está preso desde 9 de setembro no presídio da Papuda (DF)

Polícia Federal investiga se há relação entre os R$ 51 milhões achados em um apartamento ligado ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (PMDB) e a empresa OAS.

Alguns maços de dinheiro vinculados ao peemedebista estavam guardados em uma bolsa de couro com o logotipo da empreiteira.

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Em 2014, a PF achou em um celular apreendido uma série de trocas de mensagens entre Léo Pinheiro, sócio da construtora, e o político.

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Nas mensagens, o nome do deputado federal Lúcio Vieira Lima (PMDB-BA), irmão de Geddel, é citado como alguém que faria a articulação do recebimento de doação para campanhas do partido na Bahia em 2012.

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Os diálogos tratavam, além de doações, de concessões de aeroportos, negócios privados, como um empreendimento em frente ao mar na capital baiana, e liberações de recursos da Caixa, banco no qual Geddel foi vice-presidente de 2011 a 2013, no governo Dilma Rousseff.

Segundo relatório recente da PF sobre o "quadrilhão" do PMDB na Câmara, a legenda recebeu oficialmente R$ 58,1 milhões da OAS nos anos de 2010, 2012 e 2014.

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Procurada, a empreiteira não quis se manifestar.

Geddel está preso desde 9 de setembro no presídio da Papuda (DF). Ele cumpria prisão domiciliar desde 12 de julho, mas foi detido de novo após a descoberta do dinheiro.

Em depoimento na segunda prisão, o ex-ministro preferiu ficar em silêncio. Sua defesa diz que não comenta o assunto por não ter tido ainda acesso aos autos.

A polícia também tenta identificar de quem são outros fragmentos de impressões digitais achados em plásticos que embalavam as cédulas e nas malas.

No mesmo dia da apreensão dos R$ 51 milhões, a perícia conseguiu achar digitais do ex-ministro e de um aliado seu –Gustavo Ferraz, que também foi preso. A identificação foi fundamental para a decisão da prisão de ambos.

O terceiro caminho que a PF deve trilhar é o rastreamento de algumas das cédulas encontradas no apartamento. Parte do dinheiro ainda estava embalado em pequenos maços, dando a impressão de não ter sido mexido. Com o número de série das notas, a polícia pode descobrir, via Banco Central, por exemplo, as datas de retiradas.

Apesar de não ter conseguido identificar ainda a origem dos R$ 51 milhões, a PF afirma em relatórios que parte dos valores guardados por Geddel é propina paga pelo operador Lúcio Funaro, também preso na Papuda.

Em delação premiada, homologada recentemente, Funaro revelou pagamentos e documentos que comprovam voos para as entregas de valores ao peemedebista.

POLÍTICA

A situação de Geddel preocupa o Palácio do Planalto. Além de ser ex-ministro de Temer, o baiano sempre fez parte do núcleo mais próximo do presidente, incluindo os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil) e Moreira Franco (secretaria de Governo).

A Polícia Federal espera uma decisão do ministro Edson Fachin, relator do caso no STF (Supremo Tribunal Federal), para dar andamento para as investigações.

A descoberta dos R$ 51 milhões ocorreu em meio à Operação Cui Bono, que apura fraudes na Caixa Econômica, em primeira instância.

No dia da apreensão, a PF achou um recibo de uma funcionária de Lúcio Vieira Lima, o que fez o caso subir para o STF, que tem de autorizar uma investigação para pessoas que possuem foro, e ele é deputado.

Como há dois investigados presos, a expectativa é de que Fachin determine um pequeno prazo para que a PF termine as investigações e apresente as conclusões.

Há também a possibilidade de o ministro separar a apuração em duas partes, deixando o deputado fora da Operação Cui Bono, que assim poderia descer de novo para a primeira instância.

A PF até hoje não encontrou nenhuma relação de Lúcio Vieira Lima com fraudes na Caixa.

Procurado, o parlamentar não respondeu e nem atendeu às ligações.

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