Suspeito de praticar racismo contra Tia Má se apresenta à polícia
Durante três dias seguidos, a jornalista divulgou mensagens que recebeu com conteúdo racista além de ameaças que atentavam contra sua vida
Bahia|Matheus Pastori, do R7

José Raimundo Pita Barreto Júnior, de 23 anos, agressor confesso de haver praticado injúrias raciais e amaeças de morte contra a jornalista Maíra Azevêdo, a “Tia Má”, se apresentou na tarde desta quarta-feira (14) à 1ª Delegacia da Polícia Civil, no bairro dos Barris, em Salvador.
O jovem ainda ameaçou a jornalista após ela procurar a polícia para prestar queixa por ter sido chamada de “monkey” (“macaco”, em inglês) durante uma transmissão ao vivo em seu perfil no Instagram.
Para além do epsódio de racismo, durante três dias seguidos, Maíra divulgou mensagens que recebeu com ameaças que atentavam contra sua vida. À medida que o caso ganhava repercussão na mídia, a jornalista afirmou ainda ter recebido ligações com o mesmo teor ofensivo. O agressor havia descoberto o número de celular pessoal da jornalista.
Em entrevista ao vivo ao Cidade Alerta Bahia, da RecordTV Itapoan, José Raimundo admitiu ser o autor das mensagens com injúrias e ameaças. Disse, ainda, ser fã de Maíra Azevêdo e alegou possuir transtornos mentais. "Peço desculpas, eu sou fã... Aquilo foi minha raiva, não sei porquê. Quero que ela venha aqui para eu pedir desculpas", afirmou o acusado.
Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Maíra agradeceu e elogiou o trabalho da Polícia Civil e do Ministério Público da Bahia.
Assista:
Relembre o caso
A jornalista Maíra Azevêdo, popularmente conhecida como 'Tia Má' na internet, enfrenta o que diversas personalidades da rede já encontraram pela frente nas plataformas online: o racismo.
Durante uma transmissão ao vivo em seu perfil no Instagram, Maíra foi sistematicamente provocada por um dos usuários que assistiam ao broadcast. Até que, em dado momento, a situação atingiu seu limite; Maíra foi chamada de "monkey" - "macaco" em inglês.
Assumida defensora dos direitos de mulheres, negros e da comunidade LGBT+, Tia Má não se calou diante da agressão. Fez um print das ofensas e protocolou queixa formal por injúria racial na 1ª Delegacia da Polícia Civil de Salvador, além de publicar o registro do crime em suas redes sociais.
O caso então ganhou a mídia, os sites, rádios e TV. No entanto, identificar o suspeito do delito era uma missão complexa - o usuário do qual partiram as injúrias era um perfil falso, rapidamente deletado do Instagram.
Tudo, portanto, estava inclinado para a impunidade do agressor.
Até que vieram as ameaças
Nesta quinta-feira (1°), Maíra surpreendeu aos que acompanham o caso ao compartilhar ameaças de morte vindas do suspeito, que havia conseguido seu número de celular pessoal. A jornalista passou a receber mensagens e telefonemas que atentam contra sua vida.

“Não sabe com quem está falando, pro seu bem me deixe em paz. vou acaba [ sic] com você”, izia o agressor, nas mensagens que, de acordo com Tia Má, foram precedidas de ligações com o mesmo teor ofensivo. O suspeito prossegue: “vc não passa de hj (...) pode ficar sabendo (...) sua macaca preta [sic]”.
Maíra Azevêdo, novamente, não se calou. "Ainda que eu morra, morrerei lutando pelo que eu acredito! Jamais vou me furtar do meu direito de seguir combatendo as mais diversas formas de discriminação. Não quer ser exposto? Não cometa crimes! Não vai me intimidar com ameaças!", disse a jornalista em um trecho de um texto que, ainda de acordo com ela, foi encaminhado a todos os seus contatos, por precaução
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