Bahia Wagner é suspeito de receber R$ 82 mi entre propina e doação, diz PF

Wagner é suspeito de receber R$ 82 mi entre propina e doação, diz PF

Segundo a PF, uma das entregas de propina foi feita na casa da mãe do ex-governador

Wagner é suspeito de receber R$ 82 mi entre propina e doação, diz PF

Polícia apreendeu documentos, mídias e 15 relógios de luxo

Polícia apreendeu documentos, mídias e 15 relógios de luxo

José Cruz/Agência Brasil

O ex-governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), é suspeito de receber R$ 82 milhões em propina e doação não declarada fruto de irregularidades na contratação dos serviços de demolição, reconstrução e gestão da Arena Fonte Nova.

A informação foi divulgada nesta segunda-feira (26) pela Polícia Federal no âmbito da Operação Cartão Vermelho que busca suspeitos de envolvimento na fraude a licitação, superfaturamento, desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.

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Chefe da delegacia de combate à corrupção da PF, a delegada Luciana Matutino informou que Wagner recebeu boa parte do valor desviado para pagar campanha. No total, o ex-governador recebeu R$ 82 milhões das empresas que fizeram as obras, sendo que apenas R$ 3,5 milhões, até o momento, foram identificados como doações legais.

A PF detalha que ainda investiga a destinação final desses valores, mas afirmou que parte da quantia pode ter sido paga por meio de doações em campanhas eleitorais. A polícia apreendeu na casa do ex-governador documentos, mídias e 15 relógios de luxo.

"É sabido que ele tem muito interesse em relógios. Hoje foram apreendidos cerca de 15 relógios de luxo. A gente ainda vai analisar o valor desses relógios, porque vai ser submetido à perícia técnica para calcular o valor", afirmou a delegada Caires. "Tinha para ele e tinha para dar de presente."

Foram cumpridos mandados na Secretaria Estadual de Desenvolvimento Econômico, pasta que ele comanda atualmente.
Também foram cumpridos mandados nas casas e escritórios do chefe da Casa Civil da Bahia, Bruno Dauster, e do empresário amigo de Wagner Carlos Daltro.

Umas das entregas de propina feitas a Wagner, de acordo com a PF, no valor de R$ 500 mil, foi feita na casa da mãe do ex-governador, no Rio de Janeiro.

"Em razão das delações da Odebrecht e de material apreendido na OAS, nós verificamos que de fato o então governador recebeu uma boa parte do valor desviado do superfaturamento para pagamento de campanha eleitoral e de propina. Havia dois intermediários, seja pela OAS seja pela Odebrecht que também foram alvo de busca nesta data. Um destes intermediários é o atual secretário da Casal Civil do Governo do Estado da Bahia e outro é o empresário muito próximo do então governador e também foi alvo de busca nesta data", afirmou a delegada.

O R7 entrou em contato com o consórcio responsável pela Arena Fonte Nova, que disse está colaborando com as autoridades e ficou de enviar um comunicado por e-mail. O advogado do petista, Pablo Domingues, também foi procurado pela equipe, mas não comentou as acusações contra o cliente. Segundo ele, deve convocar uma entrevista coletiva ainda nesta segunda-feira para tratar do assunto.

A Polícia Federal informou que, para a operação desta segunda-feira iria a pedir à Justiça autorizações para realizar conduções coercitivas de Wagner, Bruno Dauster e Carlos Daltro a fim de colher depoimentos. No entanto, como o Supremo Tribunal Federal suspendeu as conduções coercitivas, a polícia, então, resolveu pedir prisão temporária dos três suspeitos, o que foi negado pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região. Sendo assim, a PF pretende ouvir os três suspeitos em depoimento ainda a ser agendado.

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), saiu em defesa de Jaques Wagner. Para Costa, as buscas na residência e no gabinete de Wagner na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do governo do Estado têm "cunho midiático e político".

Wagner é apontado como um possível "plano B" do PT para a eleição presidencial, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva não seja candidato.

"Quando uma televisão ou a imprensa chega antes nos locais em que vai ter uma operação policial, fica claro que a operação não tem um fim da investigação, ela tem um fim jornalístico, midiático e político partidário", disse Costa.

Pedido de Prisão

A Polícia Federal pediu a prisão de Wagner, do secretário de Casa Civil do Estado, Bruno Dauster, e de um empresário. Porém, as solicitações foram negadas pelo TRF1 (Tribunal Regional Federal da 1ª Região), responsável pelos mandados que deflagraram Operação Cartão Vermelho.

O superintendente da PF, na Bahia, Daniel Justo Madruga, afirma que os investigadores, inicialmente, queriam a condução coercitiva dos três suspeitos. Como a medida está suspensa desde dezembro, por decisão do ministro Gilmar Mendes, do STF (Supremo Tribunal Federal), a Polícia Federal requereu a prisão temporária.

"Nós entendíamos que nesse momento seria importante a condução coercitiva dos investigados para que eles depusessem hoje sem a possibilidade de combinar nenhum tipo de resposta, mas por decisão do Supremo Tribunal Federal as conduções coercitivas estão suspensas. Não se pode adotar esse tipo de medida. Nós entendíamos que era necessária a condução. Não havendo a possibilidade de condução, alternativamente se pediu a prisão temporária que foi negada pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região", afirmou Daniel Madruga.

Defesa de Wagner

O advogado Pablo Domingues, que defende o petista, afirmou que Wagner está "absolutamente tranquilo". O criminalista classificou as suspeitas da Polícia Federal na Operação Cartão Vermelho como "factoides" e "inverdades".

"A gente ainda não teve acesso integral ao inquérito. Do que a gente tem conhecimento, é que esses valores são valores feitos de modo aleatório, há uma fragilidade na elaboração dessas contas. São factoides, são inverdades. Ele está muito tranquilo com relação a isso, porque jamais houve essa situação. Está absolutamente tranquilo em relação a isso."

Perseguição

Para o PT, as buscas da PF na casa de Wagner é “mais um episódio da campanha de perseguição” contra o partido e acusou abuso de autoridade de “setores” do Judiciário. O ex-governador é o nome mais cotado, até agora, para ser candidato do PT ao Palácio do Planalto, caso o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seja impedido de concorrer por causa da Lei da Ficha Limpa.

“A escalada do arbítrio está diretamente relacionada ao crescimento da pré-candidatura do ex-presidente Lula nas pesquisas, nas manifestações populares, nas caravanas de Lula pelo Brasil”, escreveu a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman (PR), em nota divulgada nesta segunda-feira (26).