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A poucos dias de referendo na Crimeia, governo da Ucrânia faz apelo a Ocidente

Brasil|Do R7

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Por Andrew Osborn e Alastair Macdonald

SEBASTOPOL/KIEV, 11 Mar (Reuters) - O governo da Ucrânia pediu ajuda ocidental nesta terça-feira para impedir a anexação da Crimeia pela Rússia, mas a península do Mar Negro, ocupada por tropas russas, parece determinada a levar adiante uma trajetória que poderá formalizar o controle russo dentro de alguns dias.

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Com as próprias tropas na Crimeia prisioneiras, de fato, em suas bases, as novas autoridades de Kiev pintaram um quadro sombrio da situação militar no país após a derrubada do presidente pró-Moscou, há duas semanas. Elas anunciaram a criação de uma nova Guarda Nacional a ser criada com voluntários recrutados entre veteranos.

O primeiro-ministro, que se encaminhava para tomar parte em conversações na Casa Branca e nas Nações Unidas, disse ao Parlamento em Kiev querer que os Estados Unidos e a Grã-Bretanha - como partes garantidoras de um tratado de 1994 que levou a Ucrânia a desistir de suas armas nucleares soviéticas - intervenham tanto diplomática como militarmente para afastar a "agressão" russa.

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Mas, apesar de aviões de reconhecimento da Otan estarem patrulhando as fronteiras romena e polonesa, e forças navais dos EUA se prepararem para exercícios no Mar Negro, as potências ocidentais deixaram claro que, como em 2008, quando a ex-república soviética da Geórgia perdeu territórios para a Rússia, eles não têm intenção de se arriscar a transformar a pior crise Leste-Oeste desde o fim da Guerra Fria em um conflito militar com Moscou.

A diplomacia parece restrita a uma guerra de palavras. Os responsáveis pela área de Relações Exteriores nos EUA e na Rússia conversaram por telefone. Mas o Departamento de Estado dos EUA afirmou que a posição de Moscou não oferece espaço para negociações e o Ministério das Relações Exteriores russo emitiu uma declaração condenando a ajuda financeira dada pelos EUA ao "regime ilegítimo" em Kiev, que qualifica como sendo formado por ultranacionalistas com ligações "nazistas".

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Essa linguagem repete a do presidente ucraniano deposto, Viktor Yanukovich, que deu uma entrevista à imprensa na Rússia insistindo que ainda é o legítimo chefe de Estado da Ucrânia. Derrubado por protestos desencadeados pela sua decisão de estreitar os laços do país com a Rússia, em vez de firmar um acordo comercial com a União Europeia, Yanukovich culpou seus inimigos por provocar a secessão da Crimeia.

O Parlamento, em Kiev, cuja posição é apoiada pelos governos ocidentais, considera ilegítimo o referendo planejado para domingo na Crimeia, sobre a união da região com a Rússia, e resolveu nesta terça-feira dissolver o Parlamento regional crimeio se até quarta-feira não voltar atrás na consulta popular. Parece não haver chance de que isso aconteça.

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O governo russo nega que suas tropas tenham tido qualquer papel na tomada da região, que já foi governada pelos russos - declaração que é motivo de sarcasmo no exterior -, e diz que as pessoas na Crimeia, habitada por uma maioria russa, devem ter o direito de se separar. Ele tem explorado ao máximo o sentimento antirusso entre nacionalistas ucranianos, embora muitos habitantes da Ucrânia que falam russo estejam temerosos em relação ao presidente da Rússia, Vladimir Putin.

SANÇÕES, REFERENDO

O Congresso dos Estados Unidos está estudando sanções contra a Rússia e os líderes da União Europeia podem impor já na segunda-feira algumas penalidades, tais como a proibição de vistos para altos funcionários.

Até então, no entanto, a Crimeia já terá votado no referendo não reconhecido por Kiev ou países ocidentais, para buscar sua união à Rússia. A cédula de votação não apresenta a opção de manter o status quo de região autônoma dentro da Ucrânia.

Os eleitores da região de 2 milhões de habitantes terão de optar entre a união direta com a Rússia ou a restauração de uma antiga Constituição pela qual a Crimeia se tornaria uma região soberana com laços com a Ucrânia. Mas, de qualquer maneira, a região se uniria à Rússia. Na terça-feira, o Parlamento regional aprovou uma resolução segundo a qual uma Crimeia soberana cortaria relações com Kiev e se ligaria à Rússia.

O parlamento russo já aprovou a adesão, em princípio, da Crimeia, que foi entregue a Ucrânia por governantes soviéticos há 60 anos.

(Reportagem adicional de Natalia Zinets, Pavel Polityuk, Richard Balmforth e Ron Popeski em Kiev; Reportagem de Alastair Macdonald)

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