Brasil Alertas de desmatamento na Amazônia caem, mas continuam acima de 8 mil km²

Alertas de desmatamento na Amazônia caem, mas continuam acima de 8 mil km²

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, região registrou 6,8 mil km² de área derrubada; no cerrado, houve aumento de 12%

  • Brasil | Sarah Teófilo, do R7, em Brasília

Imagem de desmatamento em floresta pública não destinada em Lábrea, na Amazônia, em 26 de março deste ano

Imagem de desmatamento em floresta pública não destinada em Lábrea, na Amazônia, em 26 de março deste ano

Christian Braga / Greenpeace

Os alertas de desmatamento na Amazônia chegaram a 8.590 km² entre agosto de 2021 e julho deste ano, uma queda de 2,16% em relação ao período anterior, mas ainda o terceiro ano consecutivo em que estão acima de 8 mil km². Os dados são do sistema Deter, do Inpe (Instituto de Pesquisas Espaciais), e foram divulgados nesta sexta-feira (12).

No caso do cerrado, os números chegaram a 5.458 km² de área derrubada no mesmo período, um aumento de 12% em comparação com os 4.867 km² desmatados entre agosto de 2020 e julho de 2021.

O sistema de alertas (Deter) é um levantamento de evidências de alteração da cobertura florestal, cuja taxa de desmatamento é medida com o acumulado de agosto do ano anterior a julho do ano corrente. Os números consolidados são divulgados posteriormente pelo sistema Prodes, também do Inpe.

De acordo com o levantamento, no mês de julho também houve uma ligeira redução de 0,75% dos alertas, com 1.486,71 km² de floresta desmatada.

É o quarto maior número do mês na série histórica, desde 2016. Em 2018, antes do início da atual gestão, o mês de julho registrou 596 km² de área desmatada. Já no ano seguinte, o número saltou para 2.255 km², um aumento de 278,4%.

Porta-voz de Amazônia da ONG (Organização Não Governamental) Greenpeace Brasil, Rômulo Batista afirmou que, além do avanço do desmatamento, o que chama atenção no último ano é "a quantidade de grandes áreas desmatadas em terras públicas não destinadas, em propriedades privadas e até mesmo em áreas protegidas".

Isso reitera que o desmatamento da Amazônia não é fruto da pobreza e do desespero de pessoas em situação de grande vulnerabilidade. Trata-se de esquema organizado, patrocinado por grandes proprietários e grileiros de terra que sentem-se protegidos pelo derretimento das políticas de proteção ambiental e combate ao desmatamento que ocorreram nos últimos anos

Rômulo Batista

O estado que mais desmatou foi o Pará, seguido pelo Amazonas. Além desses dois, a Amazônia Legal engloba outros oito: Acre, Amapá, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Roraima e Tocantins.

Diretor de conservação e restauração do WWF-Brasil, Edegar de Oliveira lembra que a Amazônia "garante as chuvas que regam 90% das lavouras, abastecem os reservatórios de água potável e os que geram hidroeletricidade no Brasil e em outros países da América do Sul".

"Ela já está sob pressão do aquecimento global e perigosamente perto do ponto a partir do qual ela entrará em processo de degradação sem volta. Quando isso acontecer, todo o país ficará mais seco e mais exposto às crises hídrica, energética e até alimentar, com inflação de alimentos, como já começamos a ver", ressaltou.

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