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Associação pede fim de ação do governo contra Sônia Guajajara

Líder indígena foi intimada pela Funai por supostas críticas ao governo federal feitas na websérie Maracá - Emergência Indígena

Brasil|Do R7

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A líder indígena Sônia Guajajara
A líder indígena Sônia Guajajara

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) entrou com uma ação na Justiça Federal para anular inquérito instaurado pela Polícia Federal, a pedido da Fundação Nacional do Índio (Funai), contra a associação e sua líder Sônia Guajajara, informou a entidade em nota nesta segunda-feira (3).

Segundo a Apib, a Funai acusa a organização de difamar o governo federal com a websérie "Maracá - Emergência Indígena", que "denuncia violações de direitos cometidas contra os povos indígenas no contexto da pandemia da Covid-19", afirmou a entidade.

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A associação destacou que denúncias nesse sentido já teriam sido "reconhecidas pelo Supremo Tribunal Federal" em uma ação, numa referência a um processo em que se determinou ao governo adotar medidas para preservar a saúde dos índios em razão da crise sanitária.

Duas importantes lideranças indígenas foram intimadas pela PF a prestar depoimento, a pedido da Funai, por supostamente terem feito declarações críticas ao governo federal, de acordo com os alvos das intimações e entidades defensoras dos indígenas.

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"A perseguição desse governo é inaceitável e absurda! Eles não nos calarão!", disse Sônia Guajajara, coordenadora-executiva da Apib, no Twitter, na sexta-feira.

Almir Suruí, coordenador da Associação Metareilá, em Rondônia, foi outra liderança indígena intimada a depor, de acordo com o Instituto Socioambiental. Em uma postagem no Twitter no domingo à noite, ao lado de uma foto de Sônia, Almir publicou: "Vamos à luta".

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Procurado pela Reuters nesta segunda-feira, ele disse pelo telefone celular que estava na Polícia Federal.

Os pedidos de apuração da PF teriam partido da Fundação Nacional do Índio (Funai), segundo as entidades defensoras dos indígenas.

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Vinculada ao Ministério da Justiça, a Funai tem como função coordenar e implementar as políticas de proteção aos povos isolados e recém-contatados, além de ter como papel políticas voltadas ao desenvolvimento sustentável das populações indígenas.

Procurada pela Reuters, a Funai afirmou que "não comenta fatos que estão sob apuração em âmbito policial, o que poderia prejudicar o andamento dos trabalhos" de investigação.

"Cumpre destacar que a Funai, enquanto instituição pública do Estado brasileiro, deve estrita obediência aos princípios da legalidade, impessoalidade e moralidade, não compactuando com qualquer postura supostamente ilícita, uma vez que sua função é defender o interesse público", afirmou.

"Por fim, a fundação ressalta que a apuração de fatos supostamente ilícitos reafirma o seu compromisso com a indisponibilidade do interesse público, tendo em vista que todos os cidadãos, indígenas e não indígenas, estão submetidos à observância da lei brasileira".

Também procurada, a PF disse que "não se manifesta sobre investigações em andamento".

A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) publicou nota em solidariedade às duas lideranças indígenas.

"Em mais um ato de perseguição política e autoritarismo, o (des) governo do presidente Bolsonaro tenta criminalizar o movimento indígena e suas lideranças", afirmou.

"Manifestamos nosso repúdio e desprezo com mais esse ataque ao movimento indígena, que vem incansavelmente cumprindo sua missão de denunciar e defender os direitos dos povos indígenas no Brasil. Repudiamos qualquer tentativa de calar vozes das nossas lideranças através de ameaças, intimidações e manifestações racistas. Sobretudo quando esses ataques vêm por parte do órgão federal -- Funai, na pessoa de seu presidente, que deveria defender os direitos e promover a nossa autonomia e liberdade de expressão".

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