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Banco central dos EUA diz que vai manter juro baixo mesmo depois que economia retomar fôlego

Brasil|Do R7

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Por Ann Saphir e Krista Hughes

WASHINGTON, 19 Mar (Reuters) - O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, disse nesta quarta-feira que pode manter as taxas de juros inusualmente baixas mesmo depois de o mercado de trabalho operar com força total e a inflação avançar até a meta.


Ao anunciar a sua visão sobre os juros no futuro após dois dias de reunião, Fed afirmou que a política altamente expansionista é apropriada no 'horizonte relevante' após o programa de compra de ativos acabar.

A chair do Fed, Janet Yellen, afirmou em entrevista coletiva que o "horizonte relevante" é provavelmente algo em torno de seis meses.


"A linguagem que utilizamos no comunicado é 'horizonte relevante'... Esse é um termo difícil de definir, mas... provavelmente significa algo em torno de seis meses ou algo do tipo."

Além disso, o Fed retirou diversas diretrizes que vinham sendo usadas para ajudar o público a antecipar quando irá finalmente elevar os custos de financiamento overnight que estão em zero.


Mas ressaltou que abandonar a promessa de manter os juros baixos até "bem depois" de a taxa de desemprego cair abaixo de 6,5 por cento não indica qualquer mudança nas suas intenções. Ao invés de contar com o desemprego e a inflação como diretrizes para guiar as expectativas, o BC disse que vai analisar diversos indicadores econômicos ao tomar a decisão.

Mas o que se destacou no comunicado do Fed foi o comentário sobre a manutenção de política expansionista mesmo depois de o Fed atingir o objetivo de pleno emprego e 2 por cento de inflação.


"As condições econômicas podem, por algum tempo, justificar a manutenção da taxa de juros abaixo dos níveis que o comitê vê como normais no longo prazo", informou o Fed após reunião de dois dias, a primeira presidida por Janet Yellen, que assumiu o banco central em 1º de fevereiro.

O banco central também deu continuidade às reduções do imenso programa de compra de títulos, anunciando que vai reduzir as aquisições mensais de Treasuries e títulos lastreados em hipotecas para 55 bilhões de dólares, ante 65 bilhões de dólares.

O presidente do Fed de Minneapolis, Narayana Kocherlakota, foi dissidente, afirmando que desistir da referência pode afetar a credibilidade do compromisso do Fed em retornar a inflação de 2 por cento.

A decisão de continuar a reduzir o estímulo mantém o Fed no caminho da redução gradual apresentada pelo antecessor de Yellen, Ben Bernanke. O Fed repetiu que planeja continuar reduzindo as compras de ativos em "passos graduais" desde que as condições do mercado de trabalho continuem melhorando e a inflação mostre sinais de voltar para a meta de 2 por cento do Fed.

Das 16 autoridades do Fed, apenas uma acredita que será apropriado elevar a taxa de juros neste ano; 13 esperam uma elevação no ano que vem e 2 veem a primeira alta no juros em 2016, de acordo com as novas projeções publicadas na quarta-feira.

Mas assim que a taxa de juros começar a subir, as autoridades do Fed veem agora elevações mais acentuadas do que viam em dezembro, com as taxas encerrando 2015 a 1 por cento e encerrando 2016 em 2,25 por cento, de acordo com a mediana das previsões.

Em dezembro, as autoridades do Fed esperavam que a taxa de juros de curto prazo apenas atingiria 1,75 por cento no fim de 2016.

As novas previsões também mostram que as autoridades do Fed veem o desemprego caindo de maneira mais rápida, para entre 5,6 por cento e 5,9 por cento ao fim de 2015. Em dezembro, as previsões eram de desemprego caindo para entre 5,8 a 6,1 por cento no quarto trimestre de 2015.

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