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Barbosa diz que meta para primário de 1,1% do PIB neste ano é uma "hipótese factível"

Brasil|Do R7

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BRASÍLIA (Reuters) - O ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, disse nesta segunda-feira que manter a meta de economia para pagamento de juros da dívida pública deste ano, equivalente a 1,1 por cento do Produto Interno Bruto (PIB), é uma "hipótese factível".

Ele acrescentou, no entanto, que o governo tem avaliado o cenário fiscal e, ao ser questionado se está sendo considerada uma banda para a meta de superávit primário, ele apenas respondeu que o governo vai se pronunciar sobre assuntos fiscais na próxima semana, com a divulgação do relatório bimestral de receitas e despesas.

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"O governo está sempre avaliando alternativas possíveis. Essa discussão... começou no Congresso, mas obviamente cabe ao governo propor qualquer que seja a iniciativa", afirmou o ministro a jornalistas, após reunião do conselho político com a presidente Dilma Rousseff.

"O governo está empenhado em recuperar o resultado primário, em promover o reequilíbrio fiscal que primeiro estabilize e depois reduza a dívida", acrescentou ele, repetindo diversas vezes que o tema meta de superávit primário não teria sido discutido na reunião mais cedo.

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A meta estabelecida para este ano é de 66,3 bilhões de reais, equivalente a 1,1 por cento do PIB, mas o atual cenário econômico --com contração da atividade e baixa arrecadação-- já colocou em xeque esse número. O setor público brasileiro acumula déficit primário equivalente a 0,68 por cento do PIB nos 12 meses até maio, último dado disponível.

Também em maio, a arrecadação atingiu o pior resultado em cinco anos para esse mês, acumulando no ano 510,117 bilhões de reais, 2,95 por cento menor em termos reais sobre igual período do ano passado.

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Uma fonte do governo com informações sobre a política fiscal disse à Reuters que a proposta atribuída ao Ministério do Planejamento de estabelecer uma banda para a meta de superávit primário não agradou a presidente Dilma Rousseff. "Inicialmente, a presidente não mostrou interesse por essa proposta de haver uma flutuação na meta de superávit", disse a fonte.

A fonte, que falou sob condição de anonimato, chamou a atenção para a declaração dada por Dilma no sábado em viagem à Itália, quando ela disse que o governo não pretende reduzir o alvo fiscal de 2015, embora essa questão esteja sempre em discussão no governo.

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No Congresso, o senador Romero Jucá (PMDB-RR) apresentou uma proposta para reduzir a meta neste ano a 22,1 bilhões de reais (0,4 por cento do PIB) e a do próximo ano ao equivalente a 1 por cento do PIB, metade da meta atual de 2 por cento.

A jornalistas nesta segunda-feira, o ministro do Planejamento disse ainda que o governo estuda outras medidas para tentar melhorar a arrecadação e também faz um pente fino nos gastos, "para ver se mais alguma coisa pode ser feita".

Para o estrategista para América Latina do Barclays, Bruno Rovai, a redução da meta de superávit primário deste ano não teria impacto na credibilidade do governo, uma vez que as condições da economia pioraram e o mercado já trabalha com patamar menor.

"Mas ainda é muito cedo para reduzir para 2016. Isso poderia colocar o rating do Brasil em risco", disse Rovai, para quem uma eventual banda da meta de primário não é positiva, uma vez que permite que se busque uma economia menor.

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CONTAS DE 2014

Segundo o ministro do Planejamento, o governo entregará na próxima semana sua defesa sobre os questionamentos do Tribunal de Contas da União (TCU) envolvendo as contas de 2014 do governo da presidente Dilma.

Ele e o ministro da Advocacia Geral da União (AGU), Luis Inácio Adams voltaram a argumentar que a defesa é técnica.

O TCU questiona as chamadas "pedaladas fiscais" do ano passado, que postergaram repasses a bancos públicos.

Barbosa e Adams disseram que podem rever a "sistemática" das práticas adotadas na política fiscal, ao mesmo tempo que voltaram a defender que elas foram usadas por outros governos e aprovadas pelo TCU.

Adams disse acreditar que o julgamento do TCU sobre as contas de 2014 será técnico.

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(Por Maria Carolina Marcello e Luciana Otoni; Reportagem adicional de Flavia Bohone, em São Paulo)

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