Base aliada do governo deve reunir até semana que vem assinaturas para criar CPI dos trens de SP
Parlamentares querem oficializar pedido de investigação em reunião do Congresso em 20 de maio
Brasil|Do R7

Os parlamentares da base aliada do governo federal se mobilizam para emplacar a CPI dos trens, que vai investigar os negócios do governo de São Paulo com a multinacionais — como a francesa Alstom — para prestação de serviços e compra de trens para o Metrô de São Paulo e a CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). Petistas e aliados querem reunir as assinaturas até a semana que vem.
O provável surgimento da CPI dos trens é motivo de preocupação para o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que pode sofrer desgaste na corrida eleitoral de 2014. Alckmin disputará a reeleição ao governo do Estado.
A filial da Alstom no Brasil não admite o pagamento de propina para tucanos bem situados no governo paulista, mas o ex-diretor comercial da empresa André Botto, em entrevista à Folha de S.Paulo, confirmou que a multinacional pagou para que seus interesses fossem atendidos. É isso que provoca a dor de cabeça no governador Geraldo Alckmin.
O senador Humberto Costa (PT-PE) afirmou ao R7 que a base aliada do governo já tem “mais de 240 assinaturas de parlamentares que pedem a realização da CPI na Câmara”. Costa afirma que, no Senado, as assinaturas estão sendo colhidas.
— Acredito que, nessa semana ou na outra, vamos ter as 27 assinantes [no Senado] da CPI. A ideia é apresentar esse requerimento para a CPI na reunião do Congresso, que vai ocorrer no dia 20 de maio. O presidente deverá determinar a instalação da CPI com a nomeação dos parlamentares para começar a trabalhar ainda no mês de maio.
Leia mais notícias de Brasil e Política
Ontem, a senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a base aliada "fará um esforço" para manter em funcionamento no Congresso duas comissões: a da Petrobras e a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos trens em São Paulo.
O líder do PT na Câmara, deputado Vicentinho (SP), explicou as diferenças entre a CPI dos trens e a da Petrobras e informou que é necessária uma investigação profunda na compra de composições para o Metrô de São Paulo e CPTM porque "há gravíssimas denúncias" e "gente presa".
— Queremos a abertura de uma CPI. Já concordávamos com uma CPI também para a Petrobras e, no nosso requerimento, acrescentamos essa questão [cartel], porque no caso da Petrobras não tem nenhuma denúncia de corrupção. Nesse caso, há gravíssimas denúncias, já sendo investigadas, já tem gente presa. É uma denúncia muito séria, uma denúncia que vem de fora do País.
De acordo com o Humberto Costa, “a CPI dos trens tem por fundamento e objetivo explicar a aplicação de recursos federais nesses diversos processos de licitações no metrô de São Paulo, que já são objeto de processo”. Costa reforça que há “recursos de financiamento e do Orçamento Geral da União” aplicados nessas compras e, por isso, é preciso “investigar como esse dinheiro foi gasto”.
— Claro que, ao longo desse processo, as conexões políticas que a CPI demonstrar vão naturalmente ser investigadas pelo Congresso. À medida que for surgindo alguma coisa que explique investigá-los, claro que já há essa investigação em curso no Supremo, eles também podem ser objeto da investigação e podem ser convocados a depor.
No início de abril, o PGR (Procurador-Geral da República), Rodrigo Janot, informou ao STF (Supremo Tribunal Federal) que encontrou fortes indícios da existência do esquema de pagamento de propina da multinacional alemã Siemens a servidores públicos do governo de São Paulo. Por isso, enviou ao STF um parecer favorável à investigação dos deputados federais Rodrigo Garcia (DEM) e José Aníbal (PSDB).
Aníbal era secretário de Energia do Estado de São Paulo desde dezembro de 2013, mas reassumiu o cargo de deputado federal em 8 de abril de 2014. Rodrigo Garcia pediu licença do mandato de deputado federal para assumir a Secretaria de Desenvolvimento Social do governo de São Paulo em 12 de julho de 2012. Reassumiu o cargo em 7 de abril de 2014.
Outro lado
Após o PGR sugerir o andamento do processo no STF, Aníbal afirmou, em nota, que a manifestação de Janot "é temerária e extremamente perigosa para a democracia brasileira".
— As fraudes e calunias contidas nos vários depoimentos do bandido delator da Siemens à Policia Federal foram acolhidas pelo procurador-geral sem nenhum critério ou verificação que pudessem justificar a continuação das investigações.
Garcia também emitiu nota naquela ocasião e disse que a inclusão de seu nome na investigação "é despropositado e oportunista".
— O pedido de abertura de inquérito, feito hoje pela Procuradoria-Geral da República é fundamentado somente nas absurdas e mentirosas alegações do delator, sem qualquer outro indício ou prova.















