Base de Dilma critica mudança de posição de FHC sobre CPI
Segundo André Vargas, FHC, que sempre teve uma "postura equilibrada", agora faz "política"
Brasil|Do R7

Aliados da presidente Dilma Rousseff no Congresso criticaram neste domingo (23), a mudança do discurso do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que passou a apoiar a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a compra da refinaria de Pasadena pela Petrobrás.
Em nota divulgada neste domingo, Fernando Henrique afirmou que o presidente nacional do PSDB, senador Aécio Neves (MG), pré-candidato à Presidência da República, deve conduzir o tema em nome do PSDB, após a revelação de que a presidente Dilma Rousseff admitiu que desconhecia detalhes importantes do negócio, como uma cláusula que obrigava a estatal a comprar os 50% restantes da refinaria, se assim quisesse a sócia no empreendimento, a belga Astra. Antes, o ex-presidente defendia uma investigação técnica sobre o tema.
A base aliada trabalhará para abortar a tentativa da oposição de instalar a CPI às vésperas das eleições. Liderados por Aécio, os oposicionistas reúnem-se na tarde desta terça-feira (25), para decidir trabalharão para criar a CPI. De acordo com os aliados de Dilma, os oposicionistas querem palanque com CPI.
FHC muda posição e diz apoiar CPI da Petrobras
Um dos vice-presidentes do PT, o deputado federal André Vargas (PR), afirmou que não há um fato novo para justificar uma investigação parlamentar. Segundo Vargas, que também é vice-presidente da Câmara, FHC, que sempre teve uma "postura mais equilibrada", agora faz "política".
— Tudo aquilo que ele não quis fazer, pressionado pelo Aécio Neves agora, está fazendo. A oposição está radicalizando o discurso porque não consegue emplacar seus candidatos.
O líder do governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), criticou a mudança de posição do ex-presidente. Conforme Braga, a oposição quer "politizar" e "partidarizar" a Petrobras. Ele disse que o TCU (Tribunal de Contas da União), a CGU (Controladoria-Geral da União), o MPF (Ministério Público Federal) e a PF (Polícia Federal) já investigam supostas denúncias de irregularidades envolvendo a estatal. Ele lembrou que as conclusões da CPI são encaminhadas para o próprio Ministério Público (MP).
— Se nós fizermos uma CPI a esta altura do campeonato, vamos encaminhar para quem? Que tipo de investigação querem fazer sobre a presidenta Dilma? Já querer confundir alhos com bugalhos, a população brasileira não vai aceitar isso.
A base de Dilma é maioria tanto na Câmara quanto no Senado. Para se criar uma CPI mista, desejo dos oposicionistas, é preciso conseguir o apoio de, pelo menos, 171 deputados e 27 senadores.















