BC mantém juro a 14,25% e retira menção à inflação na meta ao fim de 2016
Brasil|Do R7
Por Marcela Ayres
BRASÍLIA (Reuters) - O Banco Central manteve nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 14,25 por cento ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado, mas sinalizou que a convergência da inflação para a meta não deverá ocorrer no fim do próximo ano, em meio a uma economia em recessão e incertezas fiscais.
"O Comitê entende que a manutenção desse patamar da taxa básica de juros, por período suficientemente prolongado, é necessária para a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante da política monetária", disse o Comitê de Política Monetária nesta quarta-feira, acrescentando que "a política monetária se manterá vigilante para a consecução desse objetivo".
O BC vinha reforçando o objetivo de levar a inflação para o centro da meta --de 4,5 por cento, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos-- no final de 2016, apesar da escalada do dólar, fiando-se principalmente na contribuição da fraqueza econômica para o arrefecimento dos preços domésticos.
"Ao substituir 'no final de 2016' por 'horizonte relevante da política monetária', ele (Copom) reconhece que a trajetória de inflação não atinge o centro da meta no fim do próximo ano", disse o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco de Lima Gonçalves, em nota.
"A volta da expressão 'vigilante' para o comunicado ... mantém espaço para alta na Selic, ainda que esse não seja o caminho mais provável", acrescentou.
Na visão do economista-chefe do banco J.Safra e ex-secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, o BC agiu certo ao mudar a perspectiva para que a inflação convirja para a meta.
"Com uma economia que vai cair 3 por cento ou mais esse ano e cerca de 2 por cento ou mais no ano que vem, produzir uma contração ainda maior pra gerar convergência a ferro e fogo num momento em que o grande problema não é a taxa de juros, é fiscal, seria um erro", disse Kawall, para quem o comunicado deverá ser bem digerido pelo mercado.
De outubro do ano passado a julho deste ano, o BC subiu os juros em 3,25 pontos percentuais, buscando com isso combater a inflação, que em 12 meses se aproxima de 10 por cento.
Pesquisa Reuters mostrou que todos os 48 economistas consultados previam que a Selic ficaria inalterada no maior patamar desde 2006.
None
None
(Reportagem adicional de Silvio Cascione e Alonso Soto)















