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BC mantém o passo e eleva juros a 12,25% para tentar segurar inflação

Brasil|Do R7

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BRASÍLIA/SÃO PAULO (Reuters) - O Banco Central elevou nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual, para 12,25 por cento ao ano, em decisão unânime e amplamente esperada pelo mercado, e sinalizou nova alta no curto prazo, embora tenha deixado em aberto o ritmo que poderá imprimir.

Foi a terceira alta consecutiva da taxa de juros, que agora se encontra no patamar mais alto desde o fim de agosto de 2011.

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Por meio de comunicado conciso, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC apenas informou que a decisão foi tomada "avaliando o cenário macroeconômico e as perspectivas para a inflação".

O BC retirou do comunicado a palavra "parcimônia" que apareceu na decisão anterior, de dezembro, e que levou boa parte dos especialistas a acreditar que a autoridade monetária poderia desacelerar o ritmo de alta da Selic.

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"É um momento de deixar as opções abertas... O comunicado curto era a melhor opção", afirmou o economista-chefe do banco J.Safra, Carlos Kawall, para quem a taxa básica de juros deve ser elevada em 0,25 ponto percentual em março, quando o Copom se reúne novamente, e em seguida interromper o atual ciclo de aperto.

Pesquisa Reuters mostrou que as expectativas dos analistas eram praticamente unânimes de alta de 0,5 ponto da Selic agora, diante do cenário de inflação elevada.

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No fim de outubro, o Copom deu início ao atual ciclo de aperto monetário ao subir a Selic em 0,25 ponto percentual, em decisão surpreendente e que não contou com o apoio de todos os membros do comitê. No encontro de dezembro, acelerou o passo e puxou a taxa em 0,5 ponto percentual.

O BC tem prometido fazer "o que for necessário" para diminuir a alta dos preços, já que a inflação continua elevada e rondando o teto da meta oficial --de 4,5 por cento pelo IPCA, com margem de dois pontos percentuais para mais ou menos.

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As medidas tributárias recentemente anunciadas pela nova equipe econômica devem pressionar ainda mais os preços no curto prazo, com analistas prevendo agora que, em 2015, a inflação vai estourar o teto da meta.

Mas, mesmo assim, essas ações estão sendo bem recebidas porque buscam arrumar as contas públicas do país e resgatar a confiança dos agentes econômicos. A expectativa do mercado é que se o governo cumprir a meta de superávit fiscal de 1,2 por cento do PIB neste ano, como planeja o Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, a necessidade de alta de juros para controlar a inflação será menor.

Por isso, já há apostas de que, entre o final deste ano e o início do próximo, a Selic possa começar a ser reduzida.

"A ata (do Copom) deve... referir-se à evolução recente dos preços dos ativos. Isto é, a política fiscal deslocando-se para terreno contracionista, o preço petróleo em queda e a manutenção de alta liquidez internacional", afirmou em nota o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves. Ele acredita que a taxa será elevada a 12,50 por cento em março e começará a cair em novembro.

O BC tem reforçado que a recente alta do dólar e dos preços administrados --que neste início de ano estão muito pressionados, com energia elétrica e transportes-- são os principais fatores que continuam pressionando a inflação. Mas coloca muitas fichas na nova política fiscal e vê a inflação convergindo para o centro da meta no final de 2016.

"Ele (BC) não se mostrou sensível ao risco de atividade econômica enfraquecer muito no início do ano", afirmou o economista-chefe do Santander, Mauricio Molan, que vê mais uma alta de 0,5 ponto em março da Selic, "muito embora a gente ainda creia que essa visão vá mudar ao longo do tempo à medida que os dados de atividade se mostrem ruins."

Pesquisa Focus do BC com economistas de instituições financeiras mostrou que as expectativas para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) neste ano é de alta de 6,67 por cento, recuando para 5,70 por cento em 2016. Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), as contas são de 0,38 e 1,80 por cento, respectivamente.

(Reportagem de Luciana Otoni e Silvio Cascione, em Brasília, Flavia Bohone e Asher Levine, em São Paulo)

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