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Câmara tem maior 'ativismo legislativo' em 20 anos

Nos cinco primeiros meses do ano os deputados já votaram 121 vezes no plenário

Brasil|Do R7

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O protagonismo no Legislativo ajudou Cunha a ofuscar o fato de que é um dos alvos da Operação Lava Jato
O protagonismo no Legislativo ajudou Cunha a ofuscar o fato de que é um dos alvos da Operação Lava Jato

O ritmo de votações imposto pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), é o mais rápido das duas últimas décadas, pelo menos.

Nos cinco primeiros meses da atual legislatura, os deputados votaram 121 vezes no plenário - o triplo do que no mesmo período de 2011, no início do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff.

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Segundo análise do Estadão Dados que abrangeu todas as votações no plenário desde 1995, o recorde anterior havia sido registrado em 2007, no início do segundo mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e quando Aldo Rebelo (PC do B-SP) estava no comando da Câmara. Na época, foram realizadas 73 votações de janeiro a maio - 40% a menos do que agora.

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O ritmo acelerado coincidiu com a perda de influência do Palácio do Planalto na definição das pautas do Legislativo. Eleito sob a bandeira da "independência" em relação ao governo, Cunha tem levado a votação projetos incômodos para a presidente Dilma, como o da elevação da idade limite para a aposentadoria dos ministros do Supremo Tribunal Federal e o que amplia as situações em que as empresas poderão terceirizar mão de obra.

Reforma

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O protagonismo no Legislativo ajudou Cunha a ofuscar o fato de que é um dos alvos da Operação Lava Jato. O doleiro Alberto Youssef o acusou de receber propina em um esquema de aluguel de navios-plataforma para a Petrobrás. O peemedebista nega envolvimento no caso.

Além de contrariar interesses do governo, Cunha também atropelou procedimentos da própria Câmara para que o "menu" de assuntos a serem votados no plenário ficassem a seu gosto. Ao entrar em confronto com o relator da comissão especial que analisou propostas para a reforma política, Marcelo Castro (PMDB-PI), o presidente da Câmara, com o aval da maioria dos líderes dos partidos, ignorou o resultado dos trabalhos e colocou em votação outra proposta, elaborada em menos de 24 horas. "Fizemos papel de bobo", disse Castro, no dia 25 de maio.

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Ao votar de forma fatiada os diversos pontos da reforma política Cunha foi derrotado duas vezes no dia 26 de maio, com a rejeição das emendas que instituíam o chamado "distritão" e que colocavam na Constituição a autorização para que candidatos recebessem doações de empresas - uma prática já declarada inconstitucional por seis dos onze ministros do Supremo Tribunal Federal.

Inconformado, o peemedebista articulou uma nova votação do financiamento empresarial no dia seguinte - desta vez, o texto permitia doações apenas aos partidos, e não diretamente aos candidatos. A proposta acabou aprovada, mas não sem polêmica: 61 parlamentares, de seis partidos, recorreram ao STF para derrubar a emenda, já que a Constituição proíbe que uma mesma matéria seja votada duas vezes no mesmo ano.

Nos últimos dias, Cunha anunciou a intenção de levar ao plenário novos temas polêmicos, como a redução da maioridade penal e a imposição de novos critérios para a nomeação de dirigentes de estatais.

Veterano

Detentor do maior número de mandatos na Câmara (11), o deputado Miro Teixeira comemora a aceleração do ritmo de votações no plenário. Para ele, a causa principal do fenômeno são as mudanças promovidas por Michel Temer (PMDB-SP), em seu último mandato como presidente da Câmara (2009 a 2010), para reduzir as situações em que a pauta de votações é trancada pela tramitação de medidas provisórias. Outro fator importante, segundo ele, foi a decisão de Eduardo Cunha de realizar sessões de segunda a quinta-feira. 

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