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Chuvas causam transtornos no embarque de volumes recordes de milho no Brasil

Brasil|Do R7

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Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - As chuvas do mês de novembro nos portos do Sul e do Sudeste do país estão causando problemas para exportadores que tentam realizar embarques de grandes volumes de milho, com possibilidade até de perdas financeiras em alguns casos, disseram agentes do mercado.

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Os portos de Santos (SP), Paranaguá (PR), Tubarão (ES) e São Francisco (SC) concentram o maior número de embarques atualmente, em uma temporada que deve ser de exportações recordes, após uma grande safra no país e com a competitividade dos grãos brasileiros inflada pela desvalorização do real ante o dólar.

Em Paranaguá, por exemplo, o número de horas em que a chuva obrigou o fechamento do porão dos navios somou o equivalente a 14 dias em novembro, contra 6 dias no mesmo mês de 2014, segundo estatísticas da autoridade portuária.

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O Sul do Brasil enfrenta chuvas acima da média nesta época do ano em meio a uma das ocorrências do fenômeno El Niño mais fortes da história.

"A chuva tem afetado a operação. Quando chove para tudo. Isso atrasa os navios que estão atracados e os que estão na fila", disse o funcionário de uma agência marítima que atua na atracação de navios de grãos em Paranaguá.

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Segundo ele, há navios atualmente com 35 a 40 dias de espera prevista, ou 25 a 35 dias se forem embarcações prioritárias.

Uma das principais consequências da longa espera para os embarques pode ser a cobrança de multas. Dependendo do contrato entre o exportador, o dono do navio e o comprador, a penalização --que pode chegar a milhares de dólares por dia-- acaba sendo paga pelo vendedor.

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"Quanto maior o tempo de espera, maior o custo... chega um ponto em que o desconto tem que ser muito grande", destacou o sócio-proprietário da corretora Agrinvest Commodities, Eduardo Vanin.

Segundo ele, esses custos prejudicam a capacidade das tradings de oferecer preços competitivos na aquisição dos grãos, atrapalhando novos negócios.

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NÃO AFETA RECORDE

O analista da Safras & Mercado Paulo Molinari estima que os embarques de milho deverão alcançar 33 milhões a 34 milhões de toneladas na temporada entre fevereiro de 2015 e janeiro de 2016, um recorde absoluto, apesar dos gargalos logísticos.

O último recorde foi registrado no ano comercial 2013/14, quando o país exportou 26,2 milhões de toneladas.

"A chuva está aí, mas os navios não vão embora. Os navios têm compromisso e vão ficar aí até embarcar", disse ele.

Com os atrasos, a perspectiva é de embarque em ritmo forte até o mês de fevereiro --tradicionalmente bastante calmo nos portos de grãos do Brasil-- às vésperas do início dos embarques da nova safra de soja.

"As tradings têm preocupação em acelerar o escoamento de milho", disse o disse o analista da Informa Economics FNP Aedson Pereira.

Outra possibilidade, segundo Molinari, é que os exportadores possam redirecionar navios para portos menos movimentados.

Uma análise feita pela Reuters na escala de navios do início de novembro e na do dia 27 mostra que pelo menos um barco destinado a carregar soja em Paranaguá foi realocado pela Cargill para o porto de Imbituba (SC), permitindo antecipar o despacho da carga em 10 dias.

A Cargill não respondeu imediatamente se a alteração na escala portuária está relacionada ao congestionamento em Paranaguá.

"O pessoal (exportador) está tentando administrar atrasos, 'empurrando com a barriga' e negociando com compradores", afirmou o diretor de Inteligência de Mercado da corretora Cerealpar, Steve Cachia.

Mesmo com a escala de navios carregada, a expectativa é de que os exportadores não tenham problemas para garantir o volume de milho necessário para realizar os embarques.

"As grandes tradings já têm um grande volume de produto na mão", disse Pereira, da FNP.

Segundo a consultoria, mais de 90 por cento do milho da safra antiga em Mato Grosso e Goiás já foi vendido pelos produtores. "E se pegar esse volume, mais da metade está na mão das tradings", completou.

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