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Comissão retoma hoje sessão que analisa denúncia contra Temer

Pedido de vista coletivo adiou a discussão e votação do parecer do relator

Brasil|Do R7, com Agência Câmara

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Zveiter lê parecer que recomenda admissibilidade da denúncia
Zveiter lê parecer que recomenda admissibilidade da denúncia

A Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados retoma, às 11h desta quarta-feira (12), as discussões sobre a denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB).

A votação do parecer do relator — Sergio Zveiter (PMDB-RJ) recomendou a admissibilidade do processo, anteontem — foi adiada por duas sessões parlamentares após um pedido de vista coletivo.


Enquanto isso, o governo tenta conseguir votos para derrubar o parecer na comissão. Mesmo que seja rejeitada, a denúncia tem que ser votada no plenário, por todos os deputados.

Em seu parecer, o deputado Sergio Zveiter ressaltou que “não é fantasiosa a acusação". Segundo ele, "é preciso que se faça a investigação. São várias as pessoas envolvidas, e a verdade precisa ser esclarecida. É necessária a investigação dos fatos. Estão demonstrados na denúncia sólidos indícios da prática delituosa."


Para Sergio Zveiter, é importante que o presidente se defenda das denúncias, independentemente de ser ou não culpado delas. "Há indícios graves, e não é fantasiosa a denúncia", reforçou, respondendo à defesa, que por escrito havia dito que se tratava de uma "peça de ficção".

O relator destacou que seu voto favorável não foi porque há provas concretas contra o presidente. Ele destacou que, neste momento, bastam os indícios.


"Mas devemos decidir se há indícios suficientes para abrir o processo. As provas concretas são necessárias apenas no julgamento. Nesse momento, é necessário que a Câmara autorize, porque há a descrição dos fatos, o que torna inviável sua não autorização", disse Zveiter.

Defesa


O advogado de Temer, Antonio Mariz de Oliveira, discordou da parte em que tanto a denúncia da Procuradoria-Geral da República quanto o relatório de Zveiter falam que o presidente "recebeu" valores de propina. "Lanço um desafio, de que se diga quando e onde o presidente recebeu um níquel sequer", disse. "A acusação é injuriosa e não tem cabimento", disse.

Para Mariz de Oliveira, o Ministério Público Federal está extrapolando sua atuação, tanto ao perseguir seu cliente com uma "atuação exacerbada", quanto nos termos das delações, que para ele foram muito favoráveis, em particular a dos donos da J&F, Joesley e Wesley Batista, que deram origem à denúncia contra Temer.

"Eles tiveram como prêmio a impunidade absoluta, e tiveram direito até de ganhar dinheiro com o câmbio na bolsa", disse.

Quanto à gravação da conversa entre Temer e um dos delatores, Mariz voltou a dizer que ela não está de acordo com a legislação, mas que, ainda assim, ela não tem nenhum elemento de prova. Mariz minimizou o fato de Temer ter se encontrado com Joesley Batista à noite e na casa oficial da Presidência, sem registros públicos e citou outros casos semelhantes.

"Como o procurador-geral também já se encontrou com o presidente fora da agenda, e muitos parlamentares desta Casa também", afirmou.

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