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Correios perdem R$ 800 milhões com remessa de cartas, telegramas e cartões

Serviços postais de vários países também estão em crise

Brasil|Do R7

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Queda na receita também está ligada ao pagamento irregular de R$ 184 mil em horas extras a funcionários que compensavam greve
Queda na receita também está ligada ao pagamento irregular de R$ 184 mil em horas extras a funcionários que compensavam greve

Com planos de participar do leilão do trem bala, montar uma empresa de telefonia celular, ter uma frota aérea e até comprar os Correios de Portugal, a ECT (Empresa de Correios e Telégrafos) fechou 2013 sem registrar lucro com a atividade na qual detém monopólio — a remessa de cartas (incluindo contas de pagamento), telegramas e cartões.

Em novembro, o prejuízo operacional acumulado nesse segmento foi de R$ 817 milhões. Resultado próximo do registrado no mesmo período de 2012, de R$ 802 milhões, conforme dados do portal corporativo ao qual o Estado teve acesso.

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Os resultados negativos nesse segmento preocupam o conselho fiscal da empresa que, em outubro, chamou a atenção para o déficit crescente.

"O resultado operacional da ECT, se desconsideradas as receitas de luvas relativas ao Banco Postal, evidencia números negativos há mais de seis meses", registrou o colegiado em ata.

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A folha de pessoal consome 58,25% da receita total da empresa pública, o que também motivou pedido de explicação do conselho fiscal.

— Em que pese a característica operacional específica da ECT (executar e controlar, em regime de monopólio, os serviços postais em todo o território nacional), e se comparados tais dados com os de outras grandes empresas estatais do País, tal patamar de gastos promete indicar uma situação acima do conveniente.

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No mundo, serviços postais de vários países também estão em crise.

O resultado final dos Correios, contudo, tem sido positivo nos últimos anos por causa de sua receita financeira, obtida com luva de R$ 3,3 bilhões recebida do Banco do Brasil para exploração do Banco Postal, que abriu agências bancárias dentro dos postos dos Correios, e aplicações financeiras.

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Os Correios também recebem um porcentual das operações bancárias realizadas pelo BB por meio do Banco Postal - um número que é contabilizado no portal corporativo como "outras receitas".

Queda

Mesmo com as receitas financeiras, o lucro da companhia vem caindo. Até novembro, o lucro líquido da empresa em 2013 era de R$ 203 milhões — menos que os R$ 1,06 bilhão registrados no mesmo período de 2012. Os dados finais só serão divulgados em abril.

A legislação permite que empresas privadas enviem apenas encomendas, mas a participação dessas companhias no setor vem crescendo na esteira das deficiências dos Correios. No primeiro semestre de 2013, os Correios pagaram R$ 4,3 milhões em indenizações a 751 mil clientes por atraso na entrega de correspondências. O número supera o mesmo período do ano anterior, quando foram registradas 413 mil reclamações.

Hora extra

O conselho fiscal também identificou como "falha grave" o pagamento irregular de R$ 184 mil em horas extras a funcionários que estavam compensando dias parados por greve ou a empregados que deviam horas de trabalho. E também identificou falhas relacionadas a recolhimentos de encargos previdenciários pela ECT, acarretando em pagamento de juros de R$ 2,7 milhões ao INSS.

Os fiscais encontraram também pagamentos a fornecedores que estão em situação irregular com os Correios e um rombo novo de R$ 441 milhões no Postalis, o fundo de pensão dos servidores, após a quitação de outro rombo de R$ 950 milhões. Os déficits são cobertos, em parte, com recursos públicos.

Estopim de escândalos como o mensalão, a empresa é controlada por petistas da ala do ex-ministro José Dirceu (hoje preso por ter sido condenado no caso mensalão).

O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, é filiado ao partido e ligado ao ex-ministro. Nomeado no início do governo Dilma Rousseff com a missão de "sanear" a estatal após o escândalo de tráfico de influência que derrubou a ex-ministra Erenice Guerra (Casa Civil), Oliveira recebeu elogios de Dirceu em seu blog.

Em janeiro de 2011, o ex-ministro se referiu a ele como exemplo de gestor público "testado e aprovado".

As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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