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Cunha revoga rito de impeachment definido por ele e suspenso pelo STF

Brasil|Do R7

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(Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), revogou nesta quinta-feira o rito para um eventual processo de impeachment definido por ele e que havia sido suspenso pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao conceder liminares pedidas por parlamentares da base da presidente Dilma Rousseff.

Cunha afirmou que decidiu revogar a resposta que havia dado a uma questão de ordem feita pela oposição, que definia os trâmites de um pedido de impeachment, para dar "estabilidade" à questão e, consequentemente, declarou prejudicados os recursos às decisões que suspendiam o rito que havia enviado ao Supremo.

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"Eu revoguei a decisão da questão de ordem e por consequente declarei prejudicados os recursos", disse Cunha a jornalistas.

"Agora aqueles mandados (concedidos pelo STF) perdem seu objeto em função da revogação da decisão proferida e passa a valer o que está previsto na Constituição e na lei 1.079", disse o parlamentar, referindo-se à lei 1.079 de 1950, que trata do andamento de um processo de impeachment.

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Cunha não quis dar detalhes sobre um eventual pedido de impeachment contra Dilma, como por exemplo, se será possível apresentar recurso ao plenário da Câmara à decisão do presidente de dar ou não andamento a um pedido de impedimento.

"A cada momento, o que acontecer, a gente vai decidir de acordo com a lei, atendendo a lei 1.079 e a Constituição, vai ser isso", limitou-se a dizer.

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Cabe a Cunha, como presidente da Câmara, decidir se dá ou não andamento a um pedido de impeachment de Dilma. Ele já rejeitou uma série de pedidos de impedimento contra a presidente, mas a oposição aposta suas fichas em uma peça formulada pelos juristas Hélio Bicudo, Miguel Reale Jr. e Janaína Paschoal.

Fontes disseram à Reuters que a área técnica da Câmara dos Deputados dará parecer favorável à aceitação desse pedido, mas Cunha não é obrigado a aceitar a recomendação da área técnica. O deputado nega a informação sobre este parecer.

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Fontes próximas a Cunha disseram ainda que o presidente da Câmara deu a entender em encontro nesta semana que aceitará o pedido de impeachment contra Dilma, caso a Procuradoria-Geral da República peça seu afastamento do cargo.

Cunha foi denunciado pela PGR sob acusação de ter recebido pelo menos 5 milhões de dólares em propina do esquema de corrupção na Petrobras. O deputado é ainda alvo de um inquérito aberto pelo STF que investiga a existência de contas em seu nome e de familiares na Suíça. Cunha nega as irregularidades.

Há, também, uma representação no Conselho de Ética da Câmara pedindo a cassação de seu mandato por quebra de decoro parlamentar, já que Cunha negou ter contas no exterior em depoimento neste ano à CPI da Petrobras. Documentos dos Ministérios Públicos do Brasil e da Suíça apontam a existência dessas contas, que inclusive já tiveram seu bloqueio e sequestro determinados pelo Supremo.

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(Por Eduardo Simões, em São Paulo)

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