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Deputados criticam pedido de aumento de salário de ministra

Luislinda Valois queria ganhar R$ 61,4 mil do governo, mas já desistiu

Brasil|Giorgia Cavicchioli, do R7, e Mariana Londres, do R7, em Brasília

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Orlando Silva: pedido de ministra é deboche
Orlando Silva: pedido de ministra é deboche

Três deputados federais ouvidos pela reportagem do R7 nesta quinta-feira (2), Orlando Silva (PCdoB-SP), Benedita da Silva (PT-RJ) e Alessando Molon (Rede-RJ), criticaram o pedido da ministra dos Direitos Humanos, Luislinda Valois, para receber R$ 61,4 mil, acima do teto constitucional.

Para o Orlando Silva, a solicitação parece um deboche com a população brasileira, que vive um momento de desemprego e queda da renda média dos salários. 


— A ministra foi infeliz na referência à escravidão e justo na hora que o governo Temer afrouxa a fiscalização sobre o trabalho escravo. Seu pleito, no momento de desemprego gigantesco que o Brasil vive e queda da renda média dos salários, parece deboche com o sofrimento da população.

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Em entrevista nesta tarde, a ministra disse que precisa se "apresentar dignamente". "É cabelo, é maquiagem, é roupa, é perfume, é sapato, é alimentação porque se eu não me alimentar, vou adoecer e vou dar trabalho para o Estado, é tudo isso que tem que ter", afirmou à rádio CBN.

Benedita da Silva criticou declaração de ministra
Benedita da Silva criticou declaração de ministra

A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) disse concordar que Luislinda se apresente bem, mas afirmou não acreditar que esse fato tenha a ver com dinheiro.


“A ministra, como toda e qualquer mulher, tem seu perfil, sua forma de vestir, seu modo. Ela teria que estar se apresentando melhor e buscando estar melhor. Mas acho que essa questão não tem muito a ver com o salário”, afirmou.

Benedita lembrou ainda que, “no primeiro mandato que tinha, eu nunca tinha comprado determinadas roupas para uso para mim. Eu percebi que eu ganhava mais, mas que eu também eu estava gastando mais”, afirma.


“[O cargo] exigia que eu estivesse mais dentro do traje. Essa alteração eu tive na minha vida, mas tudo adequado dentro do salário que eu recebia”, finalizou.

“Absolutamente infeliz a declaração da ministra, justamente a representante da pasta de Direitos Humanos deste governo que quer abandonar à própria sorte milhares de trabalhadores rurais que morrem de exaustão, estes sim em condição análoga à escravidão.”

Molon: 'ministra deveria zelar pelos trabalhadores rurais'
Molon: 'ministra deveria zelar pelos trabalhadores rurais'

O deputado Alessandro Molon (Rede-RJ) lembrou que a ministra é titular da pasta dos Direitos Humanos, justamente a pasta que deveria zelar pelos trabalhadores rurais que são mais suscetíveis ao trabalho escravo. Recentemente o presidente Temer editou portaria mudando as regras de fiscalização de trabalho escravo. Após decisão da ministra Rosa Weber a portaria foi suspensa até ser discutida no Plenário do STF (Supremo Tribunal Federal). 

— Absolutamente infeliz a declaração da ministra, justamente a representante da pasta de Direitos Humanos deste governo que quer abandonar à própria sorte milhares de trabalhadores rurais que morrem de exaustão, estes sim em condição análoga à escravidão.

Teto salarial dos servidores

Aproveitando a polêmica sobre o tema, o parlamentar Orlando Silva defendeu a votação do Projeto de Lei 6726/2016, que regulamenta o teto dos servidores públicos. O projeto, de autoria e já aprovado no Senado, regulamenta o teto proibindo uma prática comum: a soma de vencimentos com outros subsídios (abonos, férias e outros 'penduricalhos') gerando situações como a de um juiz federal do Mato Grosso que recebeu R$ 500 mil em um único mês. 

"Esse pleito lança mais luz sobre um tema importante: o teto salarial no serviço público, que é sistematicamente desrespeitado. E produz uma casta de servidores públicos que têm supersalários. Há um projeto de lei sobre teto salarial na Câmara dos Deputados que deve ser votado urgentemente", finalizou.

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