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Diplomatas querem medidas para carreiras no Itamaraty

Segundo as atuais regras, um jovem diplomata leva quase 14 anos para ser promovido

Brasil|Do R7

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Amainada a crise do atraso no pagamento do auxílio-moradia, o Itamaraty terá que lidar com outro problema: a ascensão profissional dos seus servidores mais jovens. O sindicato da categoria protocolou um pedido ao ministro das Relações Exteriores, Luiz Alberto Figueiredo, para que se tome medidas para regular o fluxo de promoções dentro do Itamaraty, abrindo vagas nos postos superiores da carreira.

A queixa apresentada pelos diplomatas por meio do sindicato é a mesma feita em agosto por um grupo de 342 terceiros secretários — o estágio inicial da carreira — em uma carta entregue a Figueiredo. Mantido o fluxo atual de promoções, os atuais jovens diplomatas levarão 13,5 anos para serem promovidos a segundo secretário, quando o regular seria de quatro a seis anos.


A carta e o pedido do SindItamaraty propõem, entre outras medidas, que se regulamente uma lei aprovada em março de 2012 pelo Congresso que amplia o número de vagas nos extratos superiores da carreira. Com isso, a promoção de todo o quadro geral de diplomatas poderia ser regularizada.

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A lei, no entanto, até agora não foi regularizada, apesar de sancionada pela presidente Dilma Rousseff. A autorização para que se crie 400 novas vagas de diplomatas, além de 893 para oficiais de chancelaria, prevê a possibilidade de concursos maiores — o mais recente teve apenas 18 vagas e o anterior, 26, apenas para repor aposentadorias — e também a transformação de parte delas em cargos superiores.

Desde o início deste ano, o gabinete do ministro informa que está sendo feito um estudo para ver onde serão melhor alocadas essas vagas, qual a real necessidade do ministério. Mas o fato é que a própria lei diz que a criação dos cargos está condicionada à aprovação do Ministério do Planejamento e a "expressa aprovação" prevista na lei orçamentária anual, o que até hoje não aconteceu.


O SindItamaraty sugere, ainda, que as novas vagas autorizadas pela lei sejam criadas de forma gradual, a partir do topo da pirâmide, pelos próximos cinco a dez anos. Isso permitiria acelerar as promoções dos secretários dos atuais 25 por ano para 39 por ano. Também sugere que seja reduzido o tempo de permanência em cada uma das classes — ministros de primeira classe (embaixador), ministro de segunda classe e conselheiro — dos atuais 15 para 12 anos, permitindo acelerar o processo.

"Caso não haja intervenção nesse sentido, o cenário atual antecipa a perda de uma geração de servidores, os quais não terão oportunidade de ascender na carreira e de contribuir mais diretamente para o funcionamento do Itamaraty", diz a carta do Sindicato.


O problema na carreira dos diplomatas começou com a ampliação dos quadros no governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Por quatro anos, os concursos do Itamaraty aceitaram a entrada de cem novos diplomatas por ano — as famosas "turmas dos cem", vistas até hoje por diplomatas da velha guarda como um grupo à parte dentro no ministério, "pouco civilizado nas normas da casa", nas palavras de um diplomata de alto escalão.

A intenção era formar quadros para preencher a necessidade criada com a abertura de mais de cem novos postos diplomáticos pelo governo Lula.

O que alguns diplomatas se queixam, hoje, é que não foi previsto nessa ampliação um cálculo das camadas superiores e do fluxo de avanço na carreira. Como os aumentos salariais e a possibilidade de ocupar cargos de chefia só surgem com a progressão, os novos diplomatas se veem hoje sem perspectivas.

Figueiredo afirma que essa questão está sendo estudada, juntamente com outras reformas administrativas no ministério, e pretende apresentar uma solução. No entanto, com as atuais restrições orçamentárias, dificilmente haverá uma solução a curto prazo.

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