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Documentário visceral sobre Kurt Cobain impressiona em Berlim

Brasil|Do R7

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Por Michael Nienaber

BERLIM (Reuters) - Um documentário franco sobre Kurt Cobain, o líder do Nirvana, conquistou o público em sua estreia internacional em Berlim, apontando aspectos raros da vida de um homem que, apesar, ou por causa de seu sucesso, se sentia isolado a ponto de cometer suicídio.

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Depois de oito anos de produção, "Cobain: Montage of Heck" é uma montanha-russa multimídia de 135 minutos de filmes caseiros que não tinham sido vistos antes, gravações de áudio, anotações de diário, desenhos e notas, misturados com trechos de entrevistas e clipes de shows.

A família Cobain concedeu acesso a "tudo, sem restrições", disse o cineasta Brett Morgen ao público na noite de sábado, agradecendo à viúva dele, Courtney Love, que participou da triagem do material, por sua confiança e coragem.

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"Ninguém me pediu um único corte, ninguém pediu uma mudança, o que é essencialmente inédito em lidar com um ícone", disse Morgen.

O modo original como Cobain tocava a guitarra desencadeou o movimento grunge de rock na década de 1990, o que lhe valeu o rótulo indesejado de voz da Geração X.

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O título do documentário, coproduzido pela filha dele, Frances Bean, provém do nome de uma fita que Cobain gravou no final de 1980.

O filme mostra filmagens em Super 8 de Cobain quando criança, soprando as velas de um bolo de aniversário e posando com uma guitarra de brinquedo, enquanto como música de fundo aparece uma versão em forma de canção de ninar do sucesso "Smells Like Teen Spirit", do Nirvana.

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Seus pais descrevem o filho como um anjo, mas também um turbilhão cuja atividade tentaram controlar com Ritalin. Eles falam sobre o seu divórcio e como Cobain passou a viver em diferentes casas quando adolescente.

Cenas de vídeo mostram Cobain como um jovem sombrio, narrando como a descoberta da maconha e da música punk o ajudou a lidar com um profundo sentimento de isolamento.

A segunda metade do filme entra na vida de Cobain com Love.

Aparece Cobain em uma cama, cantando a canção dos Beatles "And I Love Her", escrita por Paul McCartney.

Mais tarde, o jornalista David Fricke, da Rolling Stone, pergunta a Cobain sobre a faixa "I Hate Myself and Want to Die", de seu último álbum.

"Ou você está sendo realmente satírico, ou você está indo para um verdadeiro lugar escuro aqui", diz ele. A única resposta de Cobain é uma risada assustadora. Em abril de 1994, ele cometeria suicídio aos 27 anos.

A cena final do filme, no entanto, mostra Cobain no final da sessão do Acústico MTV (MTV Unplugged) simplesmente agradecendo à plateia.

"Eu realmente não me importo com os últimos dias de Kurt Cobain", disse Morgen, ao explicar sua decisão em uma entrevista à Reuters. "Eu estava tentando fazer um filme que celebrasse a vida, não a morte."

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