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Dólar fecha na máxima em quase doze anos com incertezas locais

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Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou com alta de mais de 2,5 por cento, no maior nível em quase doze anos, com investidores buscando proteção em meio à turbulência política que vem dificultando a aprovação de medidas para o reequilíbrio das contas públicas brasileiras e às dúvidas sobre a intervenção do Banco Central.

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O dólar também avançou nos mercados externos, antecipando-se a uma possível sinalização do Federal Reserve na semana que vem de que a alta dos juros dos EUA está próxima.

A moeda norte-americana subiu 2,77 por cento, a 3,2490 reais na venda, após subir a 3,2815 reais na máxima da sessão. O valor do fechamento é o mais alto desde abril de 2003.

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Na semana, a moeda norte-americana subiu 6,3 por cento, acumulado alta de 13,76 por cento desde o início do mês.

"O nosso horizonte está muito ruim e, para piorar, tem as manifestações no fim de semana", disse o estrategista da corretora Coinvalores, Paulo Celso Nepomuceno, referindo-se aos protestos em favor do impeachment de Dilma. "O investidor estrangeiro diz: 'vou sair por enquanto e volto quando tudo se resolver' e isso estressa o mercado".

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A principal preocupação é que, à medida que a popularidade da presidente Dilma Roussseff cai e cresce a rebeldia na base governista no Congresso, torna-se cada vez mais custoso para o governo implementar as dolorosas medidas de ajuste e resgatar a credibilidade da política fiscal brasileira.

Essa perspectiva tem sido corroborada também pelos desdobramentos do escândalo bilionário de corrupção na Petrobras, que vem assustando investidores estrangeiros.

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Os ruídos em torno do futuro do programa de intervenções diárias do Banco Central no câmbio completavam o quadro de apreensão doméstica. O BC vem vendendo swaps cambiais diariamente desde agosto de 2013 para oferecer proteção cambial e limitar a volatilidade, em um programa marcado para durar pelo menos até o fim deste mês.

Uma fonte da Fazenda afirmou à Reuters que o governo brasileiro não considera usar suas reservas internacionais neste momento para conter a forte alta do dólar ante o real.

Nesta manhã, o BC vendeu a oferta total de até 2 mil swaps pelas rações diárias, equivalentes a uma posição vendida de 97,5 milhões de dólares. Foram vendidos 1.050 contratos para 1º de dezembro de 2015 e 950 para 1º de março de 2016.

A autoridade monetária também vendeu a oferta integral no leilão de rolagem dos swaps que vencem em 1º de abril. Até agora, foram rolados cerca de 36 por cento do lote total, que corresponde a 9,964 bilhões de dólares.

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FED

As incertezas domésticas têm garantido que o real venha se enfraquecendo mais do que seus pares emergentes em meio à onda global de compra de dólares com as expectativas de que o aguardado aperto monetário nos Estados Unidos deve ter início em breve.

"Os mercados de trabalho (norte-americanos) continuaram a melhorar e a inflação se estabilizou, cumprindo os critérios econômicos estabelecidos pelo Fed" para a alta de juros, escreveram analistas do Scotiabank em relatório.

Desde o início do ano, o dólar subiu cerca de 5 por cento contra os pesos mexicano e chileno, 8 por cento ante o rand sul-africano e 13 por cento contra a lira turca mas avançou 22,20 por cento em relação ao real.

A aversão ao risco no Brasil tem elevado os custos de financiamento em moeda estrangeira no mercado doméstico, representados pelo cupom cambial. Apenas nesta sessão, o cupom para maio subiu 0,23 ponto percentual, a 1,91 por cento.

"É uma combinação de volatilidade, cenário interno conturbado e demanda forte por hedge", explicou o diretor de câmbio do Banco Paulista, Tarcísio Rodrigues. "Como você tem uma demanda maior no mercado futuro, o cupom precisa se ajustar a isso".

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