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Dólar sobe mais de 1%, a R$3,75, após prisão de líder do governo alimentar preocupações fiscais

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Por Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar subiu mais de 1 por cento e foi a 3,75 reais nesta quarta-feira, após a prisão do líder do governo no Senado, senador Delcídio do Amaral (PT-MS), aumentar as preocupações com as medidas de ajuste fiscal que ainda precisam do aval no Congresso.

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O dólar avançou 1,26 por cento, a 3,7506 reais na venda, mas chegou a disparar 2,80 por cento, para 3,8077 reais, na máxima da sessão.

O avanço interrompeu algumas semanas de tranquilidade no mercado de câmbio, quando o dólar chegou a cair abaixo de 3,70 reais embalado por aparente trégua no cenário político, que permitiu a aprovação de algumas medidas importantes para o reequilíbrio das contas públicas brasileiras.

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"Dentro de uma calmaria que aconteceu em um pequeno espaço de tempo, apareceu uma incógnita... Temos que ver como isso vai se desenrolar em termos de travar a agenda legislativa, porque é o cenário político que motiva o prêmio de risco no Brasil", disse o sócio-gestor da Absolute Investimentos Roberto Campos.

A prisão de Delcídio ocorreu no âmbito da operação Lava Jato, que investiga esquema bilionário de corrupção na Petrobras e em outras estatais. A ação também envolveu a prisão do presidente do BTG Pactual, André Esteves.

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Operadores temem que a detenção do senador sirva de novo impulso para travar votações no Legislativo e dificulte ainda mais o avanço do ajuste fiscal. A sessão de votações do Congresso Nacional marcada para esta manhã foi suspensa pelo presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sendo que na pauta estavam a mudança da meta fiscal de 2015 e a Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2016.

Operadores ressaltaram, no entanto, que o impacto das prisões sobre a agenda legislativa não está clara e o maior pessimismo visto sobretudo pela manhã, quando a moeda norte-americana foi a 3,80 reais, pode ter sido exagerado.

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Analistas consultados pela Reuters afirmaram que a prisão de Delcídio abala a confiança dos agentes econômicos no curto prazo, mas não acreditam que a detenção deve impedir as votações, em meio ao cenário de recessão profunda.

"Tem de acompanhar para ver como o Congresso vai reagir. Isso tudo pode no fim ser uma coisa passageira", disse o operador da corretora Intercam Glauber Romano.

O mau humor ofuscou o bom resultado do leilão de hidrelétricas já existentes, que superou expectativas e vendeu todos os ativos oferecidos, o que representa arrecadação de 17 bilhões de reais aos cofres públicos.

O Banco Central deu continuidade, pela manhã, à rolagem dos swaps cambiais, equivalentes à venda futura de dólares, que vencem em dezembro. Até agora, a autoridade monetária rolou o equivalente a 9,425 bilhões de dólares, ou cerca de 86 por cento do lote total, que corresponde a 10,905 bilhões de dólares.

Investidores também adotaram alguma cautela antes do feriado do Dia de Ação de Graças, que deixará os mercados norte-americanos fechados na quinta-feira. As praças brasileiras funcionarão normalmente, mas a ausência de investidores estrangeiros deve limitar a liquidez.

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