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Dólar sobe para R$ 2,31, maior cotação desde 2009

Sem atuação do Banco Central, moeda-norte americana atingiu maior patamar em quatro anos

Brasil|, com EFE

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O dólar subiu e fechou no patamar de 2,31 reais pela primeira vez em mais de quatro anos nesta quarta-feira (7), sem atuação do BC (Banco Central), em mais um dia de poucas notícias relevantes e baixíssimo volume de negócios, ainda pressionado por preocupações com o cenário econômico global e doméstico.

A moeda norte-americana avançou 0,65%, para R$ 2,3139 na venda, maior patamar desde 31 de março de 2009, quando ficou em R$ 2,319. O Ibovespa, por sua vez, fechou nesta quarta-feira em leve alta de 0,05%, para 47.446 pontos, perante a expectativa que a Vale possa anunciar ainda hoje um aumento de seus lucros trimestrais.


Na máxima deste pregão, o dólar tocou o nível de R$ 2,3150 e na mínima, bateu R$ 2,2931. Segundo dados da BM&F, o giro financeiro ficou em torno de US$ 1,3 bilhão, abaixo da média diária de julho, de US$ 1,7 bilhão.

O superintendente de câmbio da Advanced Corretora, Reginaldo Siaca, disse que o baixo volume de negócios é originado pela ansiedade dos investidores sobre a política monetária nos Estados Unidos.


— O viés continua sendo de alta para o dólar, o mercado continua pressionado. A única coisa estranha é que o BC não apareceu.

Sinais de que o Federal Reserve, banco central norte-americano, deve reduzir em breve seu estímulo monetário — o que diminuirá a oferta global de dólares e, portanto, tende a pressionar as cotações da divisa — têm assombrado os mercados. Desde maio, a divisa norte-americana acumula alta de 15,61% ante o real.


As indicações mais recentes vieram da presidente do Fed de Cleveland, Sandra Pianalto, afirmando que a autoridade monetária pode reduzir em breve o programa se a melhora no mercado de trabalho continuar.

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, declarou que está ficando "evidente" que o estímulo monetário nos Estados Unidos está chegando ao final.


— O mercado está tentando se posicionar diante desse fato, que está dado.

O fortalecimento da divisa norte-americana acendeu a luz amarela para possíveis intervenções do BC, uma vez que recentemente realizou leilões de swap cambial tradicional — equivalente a venda de dólares no mercado futuro — quando o dólar estava acima de R$ 2,30.

A moeda dos EUA voltou a oscilar perto desse patamar durante essa semana, mas a última vez que o BC entrou nos mercados foi sexta-feira. Valorizações do dólar ante o real são mais um fator de pressão para a inflação e, na avaliação de boa parte do mercado, o BC age no câmbio para minimizar esse movimento.

No Brasil, a valorização do dólar também é influenciada pela desconfiança com a economia doméstica, que não tem mostrado recuperação mais consistente. Diante disso, prevalecem no mercado à vista fluxos de remessas de divisas de multinacionais para o exterior e, no mercado futuro, as mesmas empresas fazem operações para se proteger contra alta mais forte do dólar até o fim do ano.

Também ajuda o fato de investidores estrangeiros aproveitarem para apostar contra o real através de posições compradas no mercado de dólar futuro e cupom cambial, de acordo com um operador de câmbio de banco estrangeiro.

Segundo ele, e com base em dados da BM&F, os investidores estrangeiros estão com posição comprada líquida recorde em cupom cambial e dólar futuro de US$ 14,5 bilhões, a maior desde março de 2009.

Informações da BM&F mostram também que em julho o volume de opções de compra de dólar futuro negociadas superou o volume de opções de venda em US$ 418 milhões. Segundo analistas, trata-se de uma evidência de que há mais investidores dispostos a comprar dólares do que vendedores.

O próprio governo está pessimista com o desempenho da economia brasileira. Tanto dentro da equipe econômica quanto no Palácio do Planalto há avaliações de que a atividade pode perder força no terceiro trimestre --o oposto da visão que prevalecia há poucos meses.

No mercado à vista, os bancos aumentaram suas posições compradas de dólares, mais uma visão de que o dólar deve continuar subindo. Em 19 de julho, segundo o BC, elas estavam em US$ 570 milhões, no final do mês passado, já haviam avançado a US$ 1,675 bilhão.

Em julho, o País registrou saída líquida de US$1,447 bilhão, mas o resultado foi positivo em US$ 1,106 bilhão na semana passada, ainda segundo o BC.

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