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Doleiro pagou passagens para assessores de senadores do PSDB e do PP

PF investiga se motivo da viagem foi facilitar investimentos em fundos de Alberto Youssef

Brasil|Do R7

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Assessor de senador tucano Cícero Lucena teria viajado com dinheiro de doleiro
Assessor de senador tucano Cícero Lucena teria viajado com dinheiro de doleiro

O doleiro Alberto Youssef pagou as passagens de assessores dos senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Cicero Lucena (PSDB-PB) de Brasília para São Paulo. O jornal O Estado de S. Paulo teve acesso ao recibo da compra dos bilhetes aéreos, ida e volta, da companhia TAM no valor de R$ 3.543,25. É o primeiro documento que liga diretamente o gabinete de parlamentares ao doleiro, preso pela PF (Polícia Federal) na operação Lava Jato.

Os assessores Mauro Conde Soares, que trabalha com Ciro Nogueira desde o início de seu mandato, e Luiz Paulo Gonçalves de Oliveira, que assessora Lucena há oito anos, saíram de Brasília no dia 4 de janeiro de 2012, desembarcaram em Congonhas e retornaram a Brasília na mesma data. O boleto foi faturado pela Arbor Contábil, empresa da contadora do doleiro, Meire Poza.


Os dois deixaram cartões de visita com o timbre do Senado e contatos dos senadores com pessoas da confiança de Youssef. Ambos assessoram os senadores na área de Orçamento. Ou seja, acompanham a aplicação de recursos destinados pelos parlamentares a obras e projetos.

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Após ser procurado pela reportagem, Ciro Nogueira convocou o funcionário para uma conversa e permitiu que o jornal a acompanhasse pelo viva-voz. Mauro Soares admitiu que viajou para São Paulo com as despesas pagas pelo grupo de Youssef, mas afirmou que o fez sem o conhecimento do senador. "Estou chocado com essa história", disse Ciro Nogueira.


Antes da conversa com o senador, ele afirmou que "não se lembrava" da viagem. Ao final da conversa, o senador disse que iria demitir o assessor.

Já o senador Cícero Lucena e seu assessor não foram localizados pela reportagem nesta segunda-feira (8). A assessoria de Lucena informou que ele estava retornando de viagem oficial para Cuba. Já o assessor não atendeu às ligações.


Fundo de pensão

"Eu viajei e não conversei com o senador sobre isso. Assumo meu erro. Eles tinham interesse no fundo de pensão do Tocantins. Eu tinha trabalhado para um senador de lá antes do gabinete do Ciro", afirmou o assessor de Ciro.

Para os investigadores, a movimentação tem outra explicação. Os dois assessores foram à capital paulista supostamente tratar de um fundo de investimentos criado por Youssef.

Segundo as investigações, havia um acordo com políticos que receberiam 10% de comissão se conseguissem que fundos de pensão de prefeituras e Estados colocassem dinheiro num fundo de investimentos da empresa Marsans Brasil, em nome do doleiro.

O nome do senador Ciro Nogueira foi citado na revista Veja do final de semana como um dos políticos que se beneficiaram de um esquema de corrupção na Petrobras.

O jornal O Estado de S. Paulo revelou que empresas pagavam 3% de propina a políticos em troca de contratos com a empresa na área de Paulo Roberto Costa, que chefiava o esquema com Youssef. Lucena recebeu R$ 25 mil de doação na última eleição de uma empresa de Youssef.

Operação Lava Jato

Paulo Roberto Costa foi preso em março deste ano durante a operação Lava Jato, da PF, sob acusação de participar de um esquema de lavagem de dinheiro comandado pelo doleiro Alberto Youssef.

Diretor de Abastecimento e Refino da Petrobras entre 2004 e 2012, ele fechou um acordo com a PF de delação premiada — quando o réu revela denúncias em troca de redução da pena. Os depoimentos aos agentes federais acontecem há mais de uma semana, em Curitiba, onde ele está preso.

Segundo reportagem publicada pela revista Veja neste final de semana, Paulo Roberto Costa teria revelado à PF os nomes de 32 parlamentares, três governadores e um ministro de Estado que participariam de um esquema de propina na petroleira. De acordo com a publicação, que não revela detalhes nem documentos, os responsáveis pelo esquema exigiam uma contrapartida de empreiteiras para fechar negócios com a Petrobras. Essas empresas tinham de reverter parte dos lucros aos cofres da estatal. Depois de lavado por doleiros, o dinheiro era repassado a políticos.

Entre os mencionados pelo ex-diretor estariam os presidentes do Senado, Renan Calheiros (PMDB), e da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB), além do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão (PMDB), e os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Romero Jucá (PMDB-RR), ex-líder de governo. Roseana Sarney (PMDB), governadora do Maranhão, Sérgio Cabral Filho (PMDB), ex-governador do Rio de Janeiro, e Eduardo Campos (PSB), ex-governador de Pernambuco — morto no dia 13 de agosto, quando era presidenciável pelo PSB —, também foram citados por Costa como beneficiários do esquema.

A PF informou nesta segunda-feira que vai apurar o vazamento dos depoimentos de Costa, já que o processo corre sob segredo de Justiça.

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