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Ecorodovias vence leilão da ponte Rio-Niterói e supera CCR

Brasil|Do R7

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Por Priscila Jordão

SÃO PAULO (Reuters) - A Ecorodovias venceu o leilão da ponte Rio-Niterói, atualmente sob concessão da CCR, oferecendo um deságio de 36,67 sobre o valor máximo de tarifa de pedágio previsto em edital, no primeiro grande teste de 2015 do apetite dos investidores por projetos de longo prazo no Brasil.

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As ações da Ecorodovias reagiram negativamente à vitória, recuando 4,5 por cento às 14h20 e liderando as baixas do Ibovespa. Já os papéis da CCR, considerada a favorita na disputa pelo mercado, ampliavam a alta para 2,6 por cento.

A Ecorodovias ofereceu uma tarifa de 3,2844 reais enquanto o consórcio da CCR fez proposta 4,24230 reais, um deságio de 18,20 por cento sobre o preço máximo do edital, que foi o mais baixo entre os entregues pelos grupos interessados na ponte.

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Quando questionado por jornalistas se a Ecorodovias se sente desencorajada pelo fato da CCR, que tem maior conhecimento sobre o ativo, ter dado o lance menos agressivo do leilão, o presidente da companhia, Marcelino de Seras, disse estar "tranquilo", já que espera um crescimento de 15 por cento do tráfego de veículos na ponte com o valor menor do pedágio.

O executivo comentou ainda que a empresa espera manter a margem de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de 60 por cento da ponte.

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A Ecorodovias deve financiar os investimentos requeridos na ponte com o caixa próprio da empresa e pode recorrer ao mercado a partir do terceiro ano de concessão, disse Seras, tendo ressaltado a atratividade das debêntures de infraestrutura, que possuem incentivos fiscais.

A concessão por 30 anos da ponte vai exigir investimentos de 1,3 bilhão de reais, com a maior parte nos cinco primeiros anos.

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Em nota, a CCR disse que sua proposta "levou em consideração a disciplina de capital, alinhada às premissas de governança corporativa e crescimento qualificado que têm norteado toda a trajetória da companhia".

A CCR venceu no final de 2013 leilão da rodovia BR-163 no Mato Grosso do Sul e o aeroporto de Confins, em Minas Gerais. A companhia encerrou 2014 com dívida líquida de 8,8 bilhões de reais e uma alvancagem medida pela relação de dívida líquida sobre Ebitda de 2,4 vezes, maior desde pelo menos o início de 2012.

O leilão da ponte Rio-Niterói contou com participação de outros quatro grupos, incluindo Triunfo e a empresa de logística JSL.

A disputa representou o primeiro grande leilão depois que a operação Lava Jato, da Polícia Federal e do Ministério Público, apertou o cerco nas investigações de corrupção na Petrobras. O certame também foi promovido pouco tempo após a sanção sem vetos da Lei dos Caminhoneiros, que, na avaliação das concessionárias de rodovias, aumentou o risco regulatório do setor, por ferir contratos atualmente em vigor.

O ministro dos Transportes, Antônio Carlos Rodrigues, afirmou a jornalistas que apesar do lance vencedor ser de cerca de 3,2844 reais, o valor é referenciado em janeiro de 2014 e por isso o pedágio da ponte será reajustado pela inflação para 3,70 reais, com vigência a partir do início de junho. Atualmente o valor da tarifa é de 5,20 reais para veículos de passeio.

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PROGRAMA DE CONCESSÕES

Já o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa, afirmou após o leilão que o governo federal analisa novas concessões de infraestrutura este ano, incluindo quatro rodovias que não foram licitadas em 2014: uma no Mato Grosso ao Pará, duas entre Minas Gerais e Goiás e uma entre Paraná e Santa Catarina. "Os projetos já estão em estudo pelo setor privado e esperamos recebê-los na próxima semana. A análise dos projetos pode viabilizar licitação ainda neste ano", disse o ministro.

Segundo Barbosa, o governo também tem em vista um conjunto de novas rodovias que podem ser alvo de concessões para serem analisadas ainda neste semestre.

Sobre as concessões de aeroportos, o ministro afirmou que o pedido de estudos para leilão de aeroportos de Salvador (BA), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS) será lançado nas próximas semanas.

"Além disso, o governo vai abrir estudos sobre a possibilidade de concessão de hidrovias e dragagem", acrescentou.

Segundo Barbosa, o governo vai adaptar as condições de financiamento das próximas concessões "à nova realidade do país" e quer desenvolver mais fontes alternativas com o setor privado, mas o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) continuará mantendo um papel importante para financiar pelo menos o início das concessões.

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