Eduardo Cunha nega acusação de doleiro
Presidente da Câmara dos Deputados afirma que a PGR agiu politicamente com o governo
Brasil|Do R7

Um dos 34 parlamentares alvo de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) sob suspeita de participar do esquema de desvios da Petrobras, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha, divulgou nota neste domingo em que nega a acusação do doleiro Alberto Youssef que, em delação premiada, afirmou que ele teria pressionado fornecedoras da Petrobras para recebimento de propina e rechaçou a reportagem publicada hoje na imprensa, que afirma que dois requerimentos da Câmara reforçam as acusações do doleiro contra Youssef.
— Bastava uma simples pesquisa no portal da Câmara para ver todas as propostas que apresentei, e isso posso provar. Só que ele, o procurador, não tem como provar. Simplesmente não fiz qualquer representação e se, por ventura, outros parlamentares fizeram, por que, então, o procurador não pediu inquérito dos outros parlamentares?
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Segundo reportagem do jornal O Globo, após uma suspensão da propina paga pelos fornecedores, o doleiro afirmou que Eduardo Cunha pediu "a uma Comissão do Congresso para questionar tudo sobre a empresa Toyo, Mitsui e sobre Camargo, Samsung e suas relações com a Petrobras, cobrando contratos e outras questões".
— Este pedido à Petrobras foi feito por intermédio de dois deputados do PMDB.
Os deputados que apresentaram requerimentos, de acordo com a reportagem, foram: Solange Almeida (PMDB/RJ) e Sérgio Brito (PSD/ BA).
Para Cunha, a pesquisa deveria ter sido feita pelo procurador-geral da República antes do pedido de abertura do inquérito.
— A minha pergunta é a seguinte: se havia suspeição de que este requerimento fosse para o fim levantado no depoimento do delator, por que não se abriu inquérito contra estes dois deputados?
Ele diz ainda nas eleições de 2014 a deputada Solange, que se elegeu prefeita de Rio Bonito, "deu apoio parcial a uma dobradinha que fiz com o deputado estadual Paulo Melo, então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj)".
— Não se pode confundir eventuais apoios políticos na eleição de 2014 com requerimento de 2011 da deputada, no exercício legitimo do seu mandato.
Cunha diz que a tentativa de ligá-lo ao requerimento da deputada é "forçar a barra" para criminalizá-lo .
— Querer atribuir a mim a responsabilidade de atos legítimos do exercício de mandato de cada um é uma tentativa de forçar a barra para a mim imputar responsabilidade.
O presidente da Câmara usa ainda o pedido de arquivamento das acusações contra o senador Delcídio Amaral (PT-MS) para reforçar seu entendimento de que o procurador-geral Rodrigo Janot "escolheu a quem investigar" e diz que o arquivamento "causa estranheza".
Neste sábado, Cunha já havia acusado a Procuradoria-Geral da República de ter sido um "aparelho político" do Palácio do Planalto e afirmou "não aceitar isso".
— A PGR agiu politicamente em conjunto com o governo. Querem deixar todos iguais para, juntos, buscarem solução...Eu não aceito isso. Vou me defender.
A pedido da Procuradoria-Geral, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki determinou a instauração de inquérito para investigar Cunha por suposta prática de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Na opinião de Cunha, a PGR agiu como "aparelho visando a imputação política de indícios como se todos fossem partícipe da mesma lama" e considerou "lamentável" ver a instituição se "prestar a esse papel" para que o procurador-geral Rodrigo Janot seja reconduzido ao cargo.














