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Eleição argentina será decidida no 2º turno após arrancada surpreendente de opositor Macri

Brasil|Do R7

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Por Nicolás Misculin e Jorge Otaola

BUENOS AIRES (Reuters) - O governista Daniel Scioli disputará a Presidência da Argentina em um segundo turno com o rival Maurício Macri, que, de forma supreendente, chegou perto do favorito nas eleições de domingo e ampliou bastante as chances de uma vitória da oposição na votação decisiva de novembro.

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Embora tenha vencido, o peronista Scioli obteve apenas 36,9 por cento dos votos, muito abaixo do que necessitava para evitar o segundo turno e até menos do que conseguiu nas primárias abertas de agosto.

Com mais ímpeto do que o previsto, Macri, prefeito da cidade de Buenos Aires, conquistou 34,2 por cento dos votos. O peronista dissidente Sérgio Massa ficou fora da corrida depois de conseguir 21,3 por cento, com mais de 97 por cento das seções apuradas.

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“O que aconteceu no dia de hoje (domingo) muda a política deste país”, disse Macri, líder de centro-direita, diante dos eufóricos seguidores da aliança Mudemos. Milhares de partidários cantavam slogans de Macri presidente. Muitos saltavam com bolas coloridas nas mãos.

Com a Argentina sofrendo com uma economia estancada, uma inflação que supera 20 por cento, parcas reservas internacionais, uma moeda sobrevalorizada, um crescente déficit fiscal e uma insegurança generalizada, o resultado de domingo mostrou que muitos argentinos querem algum grau de mudança.

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"Isso não tem nome, esperávamos há tempo, choro e rio ao mesmo tempo”, disse Sandra Lauría, de 48 anos, partidária de Macri, que estava na sede da campanha na noite de domingo.

Outro balde de água fria para o peronismo foi a vitória de María Eugenia Vidal, candidata do partido de Macri, que se tornou a próxima governadora da província de Buenos Aires, um bastião do governismo.

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“Os resultados não são os que nós buscávamos. É preciso aceitar essa situação”, disse na manhã de segunda-feira Aníbal Fernández, o candidato governista derrotado por María Eugenia, em declarações a jornalistas. “Tomará que se saia muito vem” acrescentou, referindo-se a María Eugenia.

Mais conciliador do que a presidente Cristina Kirchner, Scioli, um ex-campeão de motonáutica que governa a província de Buenos Aires, propõe ajustar pouco a pouco o modelo de centro-esquerda que governa o país há 12 anos para atrair investimentos, frear os preços e reavivar a economia, muito regulamentada pelo Estado.

“Convoco os indecisos e independentes para esta agenda de grande futuro do desenvolvimento argentino”, disse Scioli em busca de apoio para o segundo turno, qualificando Macri como um homem que muda de políticas e representa “um salto no vazio”.

Scioli, de 58 anos, promete manter os generosos benefícios sociais que ajudaram milhões de argentinos e elevaram a popularidade de Cristina, bem como o controle sobre as empresas estatais.

Macri, por sua vez, é um engenheiro que se propõe a eliminar rapidamente o controle do câmbio, impostos sobre a agropecuária e restrições às exportações da Argentina.

(Reportagem adicional de Juliana Castilla, Maximilian Heath, Maximiliano Rizzi e Walter Bianchi)

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