Brasil Em meio à crise energética, Bento Albuquerque falará à nação hoje

Em meio à crise energética, Bento Albuquerque falará à nação hoje

Ministro de Minas e Energia deverá falar sobre o reajuste da bandeira tarifária e do programa de incentivo para economia de luz

  • Brasil | Ulisses de Oliveira, do R7

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, durante evento

O ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, durante evento

Adriano Machado/Reuters - 11.08.2021

Em meio à pior crise hídrica dos últimos 91 anos, que compromete não apenas o abastecimento de água, mas também a geração de energia no país e com alta na conta de luz, o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, falará em cadeia de rádio e televisão, na noite desta terça-feira (31).

Há a expectativa de que o titular da pasta fale sobre o reajuste da bandeira tarifária, que deverá encarecer ainda mais as tarifas, e mencione o programa de incentivo à economia de energia, com redução de tarifa para quem obtiver diminuição no consumo entre 10% e 20%.

Coforme a Abratel (Associação Brasileira de Rádio e Televisão), o pronunciamento, agendado para as 20h30, terá pouco mais de cinco minutos de duração.

Nesta terça, havia a expectativa de apreciação do reajuste da bandeira tarifária pela diretoria colegiada da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica). Mas o item não foi incluído na pauta. Outra reunião, que também ocorreria hoje, foi transferida para amanhã, mas novamente o item não deve constar na lista de assuntos a serem discutidos. Conforme apuração da Record TV, a decisão pelo reajuste já está "tomada" pela agência e a proposta foi apresentada ao MME.

Quem deve bater o martelo é a Creg (Câmara de Regras Excepcionais para Gestão Hidroenergética), criada recentemente para enfrentar o cenário de níveis baixos dos reservatórios das hidrelétricas. A Câmara, que também se reuniu hoje, é composta pelas pastas de Minas e Energia; Desenvolvimento Regional; Economia; Meio Ambiente; Infraestrutura; Pecuária e Abastecimento; e Agricultura.

Também está prevista para esta tarde reunião com o Conselho Nacional de Política Energética.

Em encontro recente com o presidente Bolsonaro, o órgão defendeu que a bandeira tarifária de setembro alcançasse algo em torno dos R$ 20. Mas, para evitar uma repercussão política altamente negativa, o governo defendeu que a taxa fique entre R$ 14 e R$ 15. 

Na decisão mais recente, que valeu para as contas de luz de agosto, a Aneel definiu a cobrança extra para as contas de R$ 9,49 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, ante R$ 6,243 cobrados até o mês passado. Portanto, se o reajuste de fato ocorrer, será o segundo em dois meses seguidos, o que deve pressionar ainda mais a inflação.

Cobrança extra

A bandeira tarifária é uma sobretaxa aplicada nas contas de luz quando o custo da geração de energia aumenta. Já a bandeira vermelha nível 2 é o patamar mais alto desse sistema. A taxa é cobrada a cada 100 quilowatts-hora (kWh) consumidos.

Conforme o colunista do R7 Thiago Nolasco publicou em seu blog, o ministério chegou a defender um aumento maior, na escala de 100%, na bandeira vermelha, mas por um tempo menor, de cerca de três meses. A equipe econômica do presidente Jair Bolsonaro, contudo, preferiu um aumento menor por mais tempo - o ministro da Economia, Paulo Guedes, já havia adiantado essa opção durante evento do qual participou na semana passada.

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