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Em Salvador, Dilma critica propostas de um eventual governo do PMDB

Em referência a Michel Temer, presidente disse que 'querem sentar na minha cadeira sem voto'

Brasil|Do R7

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Dilma disse que "há um golpe em curso no País" e se defendeu das pedaladas fiscais
Dilma disse que "há um golpe em curso no País" e se defendeu das pedaladas fiscais

O ato de entrega de unidades da Minha Casa Minha Vida, em Salvador, nesta terça-feira (26) se transformou numa trincheira para a presidente Dilma Rousseff.

Em um dos mais fortes discursos desde que foi admitida a abertura do processo na Câmara, no dia 17, Dilma defendeu a legitimidade de seu mandato, acusou adversários de golpistas e corruptos e criticou indiretamente o programa Uma Ponte para o Futuro, elaborado pelo PMDB com diretrizes para a macroeconomia a serem aplicadas num eventual governo do vice Michel Temer.

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Em pouco mais de 30 minutos de discurso, Dilma repetiu que "há um golpe em curso no País", afirmando mais uma vez que não cometeu crime de responsabilidade.

— Sou acusada de algo que é praticado no País desde 1994. Até 2013 não era crime. Em 2014 virou crime e 2015 virou crime.

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Sem citar nomes, a presidente afirmou que "o mais estranho é que quem me julga é corrupto".

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— Não acharam nenhum outro motivo, como aqueles que me acusam praticaram, como crimes de corrupção. O mais estranho é que quem me julga é corrupto. Essa pessoa, que é o presidente da Câmara, todo mundo sabe que tem conta no exterior, que tem diversos processos na Justiça.

Neste momento, a militância passou a gritar "Fora Cunha" e "ai ai ai ai, empurra o Cunha que ele cai".

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A presidente repetiu ainda que o "golpe" em curso é uma "tentativa de eleição indireta" feita por quem não tem voto. Em uma referência indireta ao vice Michel Temer, a presidente afirmou que "se eles querem chegar ao poder, e não tem crime, só tem um caminho: disputem eleições e digam para o povo o que querem".

Em outra referência indireta a Temer, a presidente disse que "querem sentar na minha cadeira sem voto". Ela afirmou que um governo que não foi eleito diretamente pelo povo não teria responsabilidade com as demandas da população.

— Claro que isso é muito confortável. Você não tem que prestar contas com o povo brasileiro, não tem que dizer o que vão fazer.

Enquanto falava a uma plateia formada por beneficiários do programa Minha Casa Minha Vida, a presidente fez referência às diretrizes apresentadas pelo PMDB. Ela afirmou que "revisitar programas sociais é diminuir a quantidade de dinheiro que o governo federal coloca nos programas". 

— É aumentar muito o valor da prestação ou diminuir o número de unidades. Isso é revisitar. Querem desvincular os valores para Saúde e Educação.

Na cerimônia que marcou a entrega de 5.293 unidades em cinco cidades, a presidente citou o nome de cada um dos 24 deputados eleitos pela Bahia que votaram contra a admissibilidade do processo de impeachment na Câmara.

— Foi o maior número de votos por federação. O Brasil me deu 54 milhões de votos e tenho certeza que a Bahia foi responsável por boa parte deles.

No discurso que precedeu o da presidente, o governador da Bahia, Rui Costa (PT), manteve o tom duro contra o processo de impeachment em curso. O petista chamou de "traidores" os deputados baianos que votaram pelo impeachment.

Em um recado ao vice-presidente Michel Temer, Costa citou o vice-governador, João Leão (PR), disse que ele "é um amigo de verdade", "tem caráter e não apunhala pelas costas". Segundo ele, o sentimento é de revolta e indignação porque o povo votou na presidente e oi resultado da eleição tem que ser respeitado.

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