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ENTREVISTA-Greve da Petrobras é contra política econômica de Dilma, diz conselheiro

Brasil|Do R7

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Por Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A greve dos funcionários da Petrobras, liderada por petroleiros historicamente ligados ao PT, "é uma crítica clara e aberta" contra a atual política econômica do governo federal, que vai de encontro a questões que sempre foram defendidas pelo atual partido governista, como um maior poder do Estado sobre as riquezas do país.

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A afirmação é do sindicalista e representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras, Deyvid Bacelar, integrante da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que apoiou a reeleição da presidente Dilma Rousseff.

A mobilização, que registra impacto expressivo na produção da Petrobras, com repercussões até nos preços internacionais do petróleo, só será suspensa quando a categoria obtiver sinalização do governo federal sobre uma reformulação do plano de venda de ativos da estatal, segundo o conselheiro. A empresa prevê desinvestimentos de mais de 15 bilhões de dólares até 2016.

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"Ninguém aqui está falando em impeachment, golpe. A gente aqui está fazendo uma crítica a um posicionamento equivocado do governo federal que é representado pela presidente (Dilma Rousseff)", disse Bacelar, em entrevista à Reuters nesta quarta-feira.

Afetada por um escândalo de corrupção e atingida pela queda nos preços do petróleo, a Petrobras está no meio de um processo de reestruturação que inclui demissões, cortes de investimentos, despesas e até de alguns benefícios trabalhistas concedidos aos empregados, visando reduzir sua dívida, a maior de uma empresa do setor no mundo.

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Dessa forma, não é à toa que esta greve na estatal já é considerada a maior dos últimos 20 anos. No último grande movimento grevista, é bom lembrar, a FUP estava à frente contra a quebra do monopólio estatal no setor.

Para o conselheiro, que foi preso no início da semana por suposto desacato a policial durante uma manifestação grevista na Bahia, a atual política econômica "infelizmente replica algumas ações negativas nas estatais e na Petrobras". Segundo ele, a venda de ativos dessas empresas integraria o plano do ajuste econômico comandado pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy.

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Os sindicatos também são contra mudanças no modelo de partilha de exploração do petróleo, instaurado pelo governo do PT para que o Estado pudesse se apropriar de uma parcela maior das riquezas do pré-sal.

Segundo Bacelar, as negociações com a Petrobras sobre as principais reivindicações não avançaram, e por isso os sindicatos buscam agora negociar diretamente com o governo.

"(O governo vai ceder) sem dúvida nenhuma, porque o limite aqui é começar a desabastecer o mercado e o governo vai querer isso? Eu acho que não", disse Bacelar, que é coordenador-geral do Sindipetro Bahia, filiado à FUP, que por sua vez é ligada a Central Única dos Trabalhadores (CUT).

O conselheiro explicou que os sindicalistas estão fazendo contato com diversos interlocutores que hoje estão no governo, mas que antes atuaram no movimento sindical, como o ministro da Casa Civil, Jaques Wagner. No entanto, até o momento eles não obtiveram sucesso.

Segundo Bacelar, os sindicalistas contataram também os ministros do Trabalho e da Previdência, Miguel Rossetto, da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, e da Educação, Aloizio Mercadante. Além disso, senadores e deputados estão sendo procurados para ajudar nas negociações.

"Tem uma série de incongruências do governo federal, e aí falando da companheira Dilma", afirmou Bacelar, defendendo que o projeto de governo que está em curso pela presidente "na verdade, é o projeto do candidato derrotado (Aécio Neves)".

Como as contas públicas não fechavam e a economia em recessão com inflação em alta, Dilma mudou de forma significativa sua política econômica.

O sindicalista citou declaração recente do ministro da Fazenda, de que a obrigatoriedade de presença da Petrobras em todas as áreas do pré-sal poderá ser revista, com mudanças na Lei de Partilha.

"Infelizmente, o próprio Levy, ministro da Fazenda, traz um apoio à pauta que o PMDB apresenta em relação a esse tema."

Mais funcionários da Petrobras aderiram à greve nesta quarta-feira, com o movimento agora atingindo 47 unidades marítimas da Bacia de Campos, a principal produtora de petróleo do Brasil, informou o sindicato.

Na terça-feira, a Petrobras admitiu em um comunicado uma redução de 8,5 por cento na produção diária de petróleo em relação aos níveis anteriores à greve. A empresa também destacou que o abastecimento está garantido e que tem tomado medidas para minimizar os impactos da greve.

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