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ENTREVISTA-Perda de grau de investimento dificulta realização de IPOs, diz BM&FBovespa

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Por Aluísio Alves

SÃO PAULO (Reuters) - A perda do grau de investimento do Brasil pela Standard & Poor’s pode dificultar a realização de ofertas iniciais de ações (IPOs) previstas para acontecer nos próximos meses, disse nesta quinta-feira o presidente-executivo da BM&FBovespa, Edemir Pinto.

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Segundo o executivo, esse pode ser o primeiro reflexo da provável queda dos investimentos estrangeiros de longo prazo no país, dada a percepção de maior risco.

"Os IPOs ainda podem acontecer, mas a decisão (da S&P) vai dificultar", disse Edemir à Reuters. "Isso significa perder capacidade de atrair investimento estrangeiro de longo prazo, como dos fundos de pensão."

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Atualmente há dois pedidos de ofertas iniciais de ações em análise na Comissão de Valores Mobiliários (CVM), um da Caixa Seguridade, que reúne participações e seguros e previdência da Caixa Econômica Federal, e outro da resseguradora IRB Brasil Re.

De acordo com Edemir, o corte da nota do crédito soberano, anunciado na véspera, mostra que o governo federal não se deu conta de que perder o selo de bom pagador é mais do que apenas a opinião de uma agência sobre o orçamento público.

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"Isso significa que todas as companhias terão custo de captação muito maior, representa um ônus que vai tornar o investimento mais caro e a produção menos rentável. Vai ficar mais caro para produzir e gerar empregos", disse.

Em 2014, o Brasil teve o pior desempenho em listagem de novas companhias na bolsa em uma década, com apenas um IPO, a da Ourofino Saúde Animal. Neste ano, a única estreia no pregão foi da Par Corretora. Outras companhias, como a empresa aérea Azul e a JBS Foods, desistiram de suas operações alegando condições adversas do mercado.

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Segundo o executivo, uma reação negativa mais vigorosa do mercado tenderia a ocorrer se outra agência dentre as grandes internacionais --Moody's e Fitch-- também tirar do país o selo de bom pagador. Nesta quinta-feira, o Ibovespa fechou em queda de 0,33 por cento e o dólar em alta de 1,34 por cento frente ao real.

"O cenário de terror não está descartado", disse, referindo-se ao fato de que vários investidores estrangeiros têm restrições estatutárias para comprar ativos de países que não têm o grau de investimento de pelo menos duas agências.

Para Edemir, iniciativas para tentar corrigir a déficit fiscal, incluindo corte de custos e aumento de impostos, tende a ser inevitável, mas qualquer oneração adicional sobre o mercado de capitais seria muito danosa.

"O mercado de capitais já tem sofrido há bastante tempo", concluiu.

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