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Especialista rejeita mito de que inchaço das metrópoles brasileiras se deve à vinda de pessoas do campo

Grandes cidades devem estar preparadas para receber migrantes, diz pesquisadora da Unicamp

Brasil|Raphael Hakime, do R7

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Até a metade do século 20, o movimento migratório mais comum da população brasileira era deixar o interior do Nordeste e do Norte para pegar carona na pujança das grandes cidades do Sudeste e do Sul do Brasil e ganhar a vida. Esse movimento ainda ocorre, mas o crescimento das cidades não necessariamente é alimentado pela população rural.

A especialista em movimentos migratórios do Nepo (Núcleo de Estudos de População), da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), Roberta Guimarães Peres, explica que a mecanização da agricultura diminui os postos de trabalho no campo, o que leva naturalmente as pessoas às cidades.


— Hoje o aumento das cidades se dá por migrantes que chegaram de outras cidades. Embora as cidades estejam aumentando e o campo esteja diminuindo, não significa que as pessoas do campo estão indo para a cidade. Aquele movimento foi muito marcante, quando as pessoas saíam do campo, com o êxodo rural, quando as pessoas vieram para São Paulo, foram para o Mato Grosso, para as novas fronteiras agrícolas.

Segundo a pesquisadora, “a migração atualmente se dá entre espaços menores e é muito mais dinâmica”.


— Então, o sujeito não sai mais do sertão da Bahia para ir para São Paulo. Hoje, pelo contrário, tem um fluxo de retorno de São Paulo para o Nordeste.

Migração x desenvolvimento


É impossível dissociar o desenvolvimento econômico e social de um centro urbano dos movimentos migratórios da população. Para a pesquisadora da Unicamp, os gestores das grandes cidades devem preparar o terreno para aproveitar a oportunidade de acolher um migrante.

— No caso do inchaço, dessa explosão que as pessoas falam que acontece nas cidades por causa dos migrantes, isso não é verdade. Não são os migrantes que extrapolam o número de habitantes de uma cidade. Os migrantes trazem, além dos desafios, a ampliação do mercado de trabalho e aumento da arrecadação de impostos.

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