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Estoque de milho do Brasil deve fechar temporada no maior volume da história

Brasil|Do R7

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Por Gustavo Bonato

SÃO PAULO (Reuters) - Os estoques de milho no Brasil deverão atingir o maior volume da história ao final da temporada 2016/17, enquanto os de soja serão os mais elevados em uma década, estimou nesta quinta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), após elevar as previsões de safra e manter estáveis expectativas de exportações e de consumo interno.

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A companhia, encarregada das estimativas oficiais do Ministério da Agricultura, disse que os estoques de milho colhido no Brasil na safra atual, deverão subir para 17,4 milhões de toneladas, 1,8 milhão a mais que no relatório de fevereiro e quase 10 milhões acima do encerramento da safra passada.

Enquanto a safra 2015/16 teve a oferta drenada por uma forte quebra de produtividade, a Conab estima agora uma colheita recorde de 89 milhões de toneladas --a maior parte desse volume previsto deve vir da segunda safra, que está sendo plantada.

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"Com grandes chances de pouca interferência climática na produção, estima-se um estoque de passagem de 17,4 milhões de toneladas, ou seja, o maior já registrado na história", disse a Conab, em seu relatório.

O volume é o suficiente para garantir o consumo do Brasil por quase quatro meses. Na temporada passada, estoques finais não eram suficientes para dois meses de suprimento.

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Neste cenário, os preços no Brasil estão pressionados, acumulando perdas mais de 34 por cento desde uma máxima histórica em meados do ano passado, no mercado à vista, segundo o indicador Esalq/BM&FBovespa.

"Os preços do cereal encontram-se pressionados pelos grandes estoques do mercado internacional, assim como pela expectativa de safras recordes nas regiões produtoras nacionais e internacionais", afirmou a Conab.

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"Diante deste cenário, há uma tendência de que os produtores mantenham a posse do grão à espera de melhores condições de comercialização, correndo o risco de encontrarem problemas para armazenar o produto no futuro, sendo forçados a utilizar alternativas como silo bolsa ou vender o produto em condições desfavoráveis, como ocorrido em safras anteriores."

Contudo, um fator que ainda pode influenciar o estoque de passagem da temporada é o volume que o Brasil conseguirá vender no exterior.

A Conab estimou que as vendas externas na temporada (até 31 de janeiro) ficarão em 24 milhões de toneladas, mesma estimativa feita em fevereiro.

Analistas apontam o câmbio, a concorrência com a Argentina e competição com a soja como variáveis que poderão permitir volumes maiores ou menores nas exportações do cereal.

"Quanto às exportações, é preciso acompanhar a evolução cambial, que não tem sido favorável à competitividade do cereal brasileiro", disse a analista de mercado Ana Luiza Lodi, da INTL FCStone, em um relatório sobre oferta e demanda publicado no início da semana.

Para a Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o país poderá atingir a marca de 30 milhões de toneladas exportadas nesta temporada.

"Até fevereiro (ao fim da temporada comercial), acho que devemos exportar mais de 30 milhões de toneladas, se confirmar-se uma safra acima de 90 milhões", disse o assessor técnico da Comissão de Cereais, Fibras e Oleaginosas da CNA, Alan Malinski.

A Conab manteve a estimativa de consumo interno de milho em 56,1 milhões de toneladas.

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SOJA

A Conab elevou também sua previsão para os estoques de soja ao final de temporada para 3,8 milhões de toneladas, ante estimativa de 1,8 milhão do relatório de fevereiro e 1,5 milhão em 2015/16.

Se confirmado, será o maior volume desde os 4,5 milhões do final da safra 2007/08, segundo dados históricos compilados pela Reuters.

A Conab estimou os embarques da oleaginosa em um recorde de 59,1 milhões de toneladas, estável ante previsão de fevereiro, após elevar a previsão de safra do país em cerca de 2 milhões de toneladas, para 107,6 milhões.

Analistas, fontes do mercado e dados portuários têm apontado que o ritmo lento dos negócios com soja neste temporada, em meio a preços que não agradam os produtores, podem levar a embarques mais cadenciados ao longo do ano, possivelmente prolongando-se com volumes relevantes até o segundo semestre.

A Conab também manteve estável a previsão de consumo interno de soja do Brasil, em 46,5 milhões de toneladas.

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(Por Gustavo Bonato)

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