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Ex-presidente da OAS diz que passou R$ 2,5 milhões ao PMDB para abafar CPMI

De acordo com Léo Pinheiro, valor foi dividido entre o diretório nacional do partido e caixa-2

Brasil|Do R7

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Léo Pinheiro foi condenado a 16 anos de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Lava Jato
Léo Pinheiro foi condenado a 16 anos de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Lava Jato

O ex-presidente da OAS José Aldemário Pinheiro, o Léo Pinheiro, confessou nesta terça-feira (13), ao juiz federal Sérgio Moro ter pago R$ 2,5 milhões em propinas para o PMDB para abafar a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), aberta em 2014 para apurar o esquema de corrupção na Petrobras. Segundo o empreiteiro, R$ 1 milhão foi doado oficial para o PMDB nacional e o restante via caixa-2.

— A OAS pagou R$ 350 mil de doação à paróquia de Brasília e pagou R$ 2,5 milhões, sendo R$ 1 milhão doação ao PMDB nacional e R$ 1 5 milhão através de caixa-2

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A afirmação de Léo Pinheiro foi dada em sua segunda declaração ao juiz Moro, em processo em que é réu, em Curitiba por corrupção e lavagem de dinheiro.

Os R$ 350 mil foram acertados com o ex-senador Gim Argello (PTB-DF) e o ex-senador Vital do Rêgo (PMDB-PB) — vice e presidente, respectivamente, da comissão. O ex-senador Gim Argello foi preso 28ª etapa da Lava Jato, Operação Vitória de Pirro. Rêgo, atual ministro do TCU (Tribunal de Contas da União) é investigado em Brasília.

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É a primeira vez que Léo Pinheiro — que perdeu no último mês sua negociação de delação premiada com o Ministério Público Federal — confessa crimes no esquema de cartel e corrupção na Petrobras. Ele, no entanto, disse ter se sentido extorquido pelos parlamentares e pelo governo da presidente cassada Dilma Rousseff.

No depoimento, o ex-presidente da OAS afirmou que o ex-ministro de Relações Institucionais Ricardo Berzoini participou de reunião na casa do ex-senador Gim Argello em que foi tratado da blindagem ao governo e às empreiteiras nas investigações da CPMI.

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No processo, a Lava Jato aponta que um grupo de sete empreiteiras teria acertado pagamento de R$ 5 milhões para abafar a CPMI. OAS, UTC e Andrade Gutierrez acertaram e pagaram valores via doações oficiais para os partidos da coligação de Argello nas eleições de 2014 - formada por DEM, PR, PMN , PRTB e PTB. O Ministério Público Federal não acusa nenhum dos partidos da coligação de irregularidades pois, segundo os investigadores, não há provas de que eles tinham conhecimento de que o pagamento era decorrente dos crimes de Argello.

Naquele ano, as duas comissões encerraram os trabalhos sem convocar nenhum executivo das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato.

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Volta atrás

Léo Pinheiro ficou em silêncio durante seu primeiro interrogatório como réu, antes dele perder sua delação. Frente a frente com o juiz federal Sérgio Moro, o empreiteiro disse, na ocasião, que "por orientação dos advogados" não responderia a nenhuma pergunta.

Eles se pronunciaram após o juiz Sérgio Moro, no dia 6 de setembro, publicar o pedido da defesa de Léo Pinheiro. "Requer novo interrogatório do acusado, 'a fim de que colabore com os esclarecimentos dos fatos do presente processo'." O juiz da Lava Jato considerou que não caberia o novo depoimento, pois como réu o ex-presidente da OAS já foi interrogado em juízo, "embora tenha preferido ficar em silêncio".

"Não obstante, a bem da ampla defesa e considerando que é possível que ele esclareça aspectos relevantes do caso penal, resolvo deferir o requerido", escreveu Moro, ao determinar essa terça para o novo interrogatório.

Léo Pinheiro, condenado a 16 anos de reclusão por corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa na Lava Jato, teve a negociação de sua delação premiada suspensa pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. A interrupção foi provocada pela divulgação de citações ao ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal. O ministro teria sido citado por Leó Pinheiro, o que é negado pelo procurador-geral.

Na noite desta segunda-feira (12), o Ministério Público Federal informou ao juiz Sérgio Moro considerar "desnecessário o interrogatório do acusado José Aldemário Pinheiro para fins de colaboração com os fatos do presente processo".

— Mormente porque ao juízo da acusação os fatos denunciados estão robustamente corroborados pelas provas coligidas até o momento.

Os procuradores da Lava Jato consideraram, no entanto, que o "interrogatório é um meio de defesa do acusado" e que, por isso, o não veem "óbice na sua realização".

Defesa

A reportagem entrou em contato com as assessoria de Vital do Rêgo e de Marco Maia, mas ainda não obteve retorno.

O ex-ministro Ricardo Berzoini afirma que Léo Pinheiro cometeu uma imprecisão em seu relato ao citar a presença de Vital do Rêgo, que não estava no encontro.

— Nunca estive com Vital d Rêgo junto com o Gim Argello para tratar de qualquer assunto fora do Congresso. Era uma conversa que o Gim me convidou para ter com ele sobre a pauta no Senado na semana seguinte.

Ainda segundo o ex-ministro, Argelloo teria convidado para o encontro na resdência do senador em Brasília, sem nem mencionar o empreiteiro.

— Não tinha menor ideia que o Léo poderia aparecer. Conversamos [ele e Gim Argello] por mais de uma hora e quando estava para sair apareceu o Léo Pinheiro, com o qual não tenho nenhuma intimidade, e conhecia apenas de vista.

Berzoini diz ainda que não houve nenhum tipo de pedido ao empreiteiro.

— O que houve foi uma conversa do tipo, 'está começando a comissão parlamentar e é importante que seja uma investigação séria não uma disputa política eleitoral'.

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