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Fibria segue atenta a oportunidades de consolidação, mesmo com expansão no MS

Brasil|Do R7

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Por Alberto Alerigi

SÃO PAULO (Reuters) - O investimento de 7,7 bilhões de reais da Fibria para ampliar sua capacidade de produção de celulose no Mato Grosso do Sul não vai impedir a companhia de continuar atenta a oportunidades de consolidação em um mercado que considera ainda muito fragmentado, disse o presidente-executivo da companhia, Marcelo Castelli, nesta sexta-feira.

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"Continuamos acreditando e abertos ao cenário de consolidação. Evidentemente, dada a envergadura do projeto, a administração tem que focar nos primeiros momentos no encaminhamento do projeto, o que não inibe eventuais inícios de conversas", disse Castelli em teleconferência com analistas.

"A consolidação é saudável para a indústria. Mas isso leva tempo (...) A Fibria continua preferindo rota de crescimento através de consolidação de capacidade", afirmou o executivo. Ele, porém, foi categórico: "Se alguém adicionar capacidade, a gente vai adicionar também, para termos mais musculatura para fazermos 'M&As' (consolidação) futuros."

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Na quinta-feira, o Conselho de Administração da Fibria aprovou o investimento que fará com que a capacidade de produção de celulose da companhia no Brasil cresça de 5,3 milhões de toneladas para cerca de 7 milhões de toneladas no final de 2017. Já em comercialização, a capacidade chegará a cerca de 8 milhões de toneladas.

A aprovação do projeto de expansão, após meses de estudos, ocorreu cerca de uma semana depois que a Fibria anunciou um acordo comercial com a Klabin para a compra de pelo menos 900 mil toneladas anuais de celulose a partir de 2016 e da rival Eldorado anunciar o início de construção de nova linha, de 2 milhões de toneladas anuais, também no Mato Grosso do Sul.

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Somando todos os projetos de expansão, o setor de celulose deve ver a entrada apenas no Brasil de cerca de 5 milhões de toneladas em capacidade produtiva adicional entre 2016 e 2018 em um momento em que um dos principais mercados mundiais, a China, atravessa desaceleração, algo que tem preocupado analistas da indústria sobre uma possível queda de preços da commodity nos próximos anos.

O BTG Pactual disse que o projeto da Fibria no município de Três Lagoas (MS) trará um custo caixa de produção atraente para a Fibria e que a alavancagem da companhia deve permanecer em um nível confortável, mas destacou que, embora seja uma decisão racional para os acionistas, o setor seria mais beneficiado por uma consolidação do que pelo aumento de capacidade.

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Às 13h25, as ações da Fibria recuavam 2,2 por cento, maior queda entre as companhias do setor listadas na BM&FBovespa, cujo principal índice avançava 0,36 por cento no mesmo horário.

Na avaliação de Castelli, o momento escolhido para expansão a fábrica em Três Lagoas representa uma "janela de oportunidade" interessante para a maior fabricante mundial de celulose de eucalipto, dada a expectativa de manutenção dos preços da commodity perto dos níveis atuais entre 2016 e 2018 e um crescimento chinês mais voltado ao consumo privado.

Além disso, o diretor comercial da empresa, Henri Philippe van Keer, aposta que "a demanda mundial vai crescer. A China está muito melhor do que se fala e também não seria muito agressivo pensar que a Europa estará em condição ainda melhor do que hoje daqui dois a três anos", disse o executivo.

"Esse projeto vai dar oportunidade de acompanhar o crescimento de clientes estratégicos e desenvolver outros clientes em outras regiões", acrescentou o executivo, afirmando que 45 por cento da produção da nova capacidade em Três Lagoas será destinada para o mercado asiático.

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DETALHES

Os executivos da Fibria afirmaram que não esperam que a Fibria arrisque violar cláusula de alavancagem máxima de 3,5 vezes a dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) em dólares, definida em recente novo acordo de acionistas, muito menos extrapolar os 4,5 vezes acertados junto a credores.

Na realidade, a expectativa é que a empresa continue com a alavancagem perto da faixa de 2 a 2,5 por cento, disse o diretor financeiro, Guilherme Cavalcanti. A previsão decorre do forte nível de geração de caixa da companhia permitido por um cenário favorável de desvalorização do real contra o dólar, demanda aquecida, preços de celulose em alta e até mesmo a perspectiva de que os preços da eletricidade no Brasil seguirão em patamares elevados, permitindo a venda de excedente de eletricidade gerado no processo de produção da celulose.

No primeiro trimestre, a Fibria teve alavancagem de 2,3 vezes em dólares e um crescimento de 48 no Ebitda ajustado, a 1 bilhão de reais.

Cavalcanti afirmou que o orçamento de 7,7 bilhões de reais será bancado com 40 por cento de recursos próprios da Fibria e o restante financiado via mecanismos como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A companhia não está avaliando emissão de dívida para ajudar a financiar o projeto.

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