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Filha de motorista de JK refuta assassinato

Maria de Lourdes Ribeiro diz que investigação está invadindo a privacidade da família 

Brasil|Do R7

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Filha do motorista de JK diz que "tese do tiro é muito primária"
Filha do motorista de JK diz que "tese do tiro é muito primária"

A advogada Maria de Lourdes Ribeiro, filha de Geraldo Ribeiro, motorista que dirigia o carro do ex-presidente Juscelino Kubitschek quando ele morreu na Rodovia Presidente Dutra em agosto de 1976, disse nesta quarta-feira (11) que não permitirá a terceira exumação dos restos mortais de seu pai.

O pedido para um novo exame foi feito pela Comissão Municipal da Verdade de São Paulo à Justiça de Minas Gerais, onde Ribeiro foi sepultado. O pedido foi acatado, mas condicionado à autorização da família.

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— Foi um acidente. Essa tese do tiro é muito primária para mim, que sou advogada. Não quero que entrem mais na vida do meu pai. Estão invadindo a nossa privacidade.

Terça-feira, a comissão apresentou um relatório com 92 indícios, segundo ela, de que o ex-presidente teria sido assassinado — o principal deles seria que Ribeiro teria levado um tiro na cabeça antes da colisão do automóvel em que estavam. A comissão afirmou ainda que o motorista e JK foram vítimas de uma conspiração.

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Ribeiro foi periciado pela primeira vez em 1976, após o acidente. Em 1996, o ex-secretário particular de JK, Serafim Jardim, conseguiu liminar para uma nova exumação. Concluiu-se na época que havia um fragmento metálico no crânio de Ribeiro, mas que seria um prego do caixão. Maria de Lourdes afirma que a situação é um transtorno para ela.

— Se não provarem que ele foi assassinado, eu posso entrar com uma ação por danos morais. Isso está sendo um transtorno enorme para mim. Estou sem dormir.

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A advogada afirma que nunca foi chamada para falar à Comissão da Verdade.

— Se eles pegarem os restos do meu pai e levarem para São Paulo, quem garante que não vão colocar um tiro lá?

Para ela, apenas escritores e políticos têm interesse na hipótese de assassinato.

— Seria mais confortável para mim se eu comungasse com essa tese. Eu até poderia pedir indenização do governo, mas meu pai me ensinou que a mentira prende e a verdade solta. Meu pai não levou tiro [...] A Maria Estela [Kubitschek Lopes, filha adotiva de JK], também não quer mais discutir esse assunto. Ela acha que desígnios de Deus não se discutem. Ela me escreveu dizendo isso.

Perito

Presidente da comissão, o vereador Gilberto Natalini (PV) diz que Maria de Lourdes não foi encontrada para receber o convite.

— [Na exumação de 1996] o perito criminal Alberto Carlos de Minas viu que havia um rombo na cabeça do motorista, mas não deixaram que ele fotografasse. Respeito muito o sofrimento dela, mas não abrimos mão do relatório.

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Segundo o ex-secretário particular de JK, Serafim Jardim, as perícias de 1976 e de 1996 estavam erradas.

— Podiam ter guardado o metal que estava na cabeça do Geraldo e que disseram ser um prego, mas não fizeram isso. A Maria de Lourdes está falando bobagem.

A Comissão da Verdade pediu, com base no relatório, que o governo federal, o STF e o Congresso retifiquem a causa da morte de JK e reconheçam que ele foi assassinado. 

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