Brasil Filha de vítima da guerrilha do Araguaia diz que “número de brasileiros mortos é muito maior”

Filha de vítima da guerrilha do Araguaia diz que “número de brasileiros mortos é muito maior”

Victória Grabois investiga mortes suspeitas e garante que agora “ou é tudo ou é nada”

Filha de vítima da guerrilha do Araguaia diz que “número de brasileiros mortos é muito maior”

A professora aposentada Victória Grabois garante que o “número de brasileiros mortos [pela ditadura] é muito maior” do que temos notícias até hoje. Com o sobrenome conhecido, a criadora da ONG Tortura Nunca Mais-RJ é filha de Maurício Grabois, um dos fundadores do PCdoB.

Victória perdeu pai, irmão e marido na guerrilha do Araguaia e faz trabalhos de busca por desaparecidos políticos no Brasil. Ela afirma que as mortes suspeitas do período só serão esclarecidas quando acontecer “a abertura dos arquivos da ditadura”.

Mortes suspeitas que aconteceram na ditadura ainda não foram esclarecidas

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Como exemplo, ela cita a morte do ex-deputado federal Rubens Paiva, que foi preso e morto pela ditadura e era dado como “desaparecido”.

— Agora queremos saber quando que ele foi preso, quando que ele morreu, quem matou, onde está o corpo. Se não tem corpo, o que fizeram com o corpo? Isso tudo precisa ser dito!

Porém, ela diz que esse é um trabalho que precisa ser feito pelo Estado brasileiro e que essa investigação “não cabe ao Grupo Tortura Nunca Mais nem às famílias”.

— Tem que se abrir os arquivos. Tem que se ouvir os militares, mas a gente já viu como é que o Ustra se portou.

De acordo com Victória, é muito difícil comprovar essas mortes suspeitas pelo fato de muitas ossadas de militantes terem sido enterradas junto com indigentes. Desta forma, a identificação é “impossível”. Mesmo assim, ela vê o atual período como um momento de decisão e esperança na identificação dos ossos.

— Ou é tudo ou é nada. Agora é o grande momento.

Porém, o historiador Osvaldo Coggiola diz que “é obvio que qualquer Estado que se preze” precisa esclarecer as mortes que aconteceram em períodos de arbitrariedade.

— Isso mostra uma visão elementar da vida democrática.

Coggiola também diz que “havia uma polêmica muito grande sobre a lei da Anistia” e que a Comissão Nacional da Verdade pode mudar essa realidade.

— Todos os países da América do Sul têm dado marcha ré em relação a essa Anistia. A Comissão da Verdade vem, possivelmente, para remediar esse problema.

* Colaborou Giorgia Cavicchioli, estagiária do R7.